Na denúncia, ofertada em 2016, o Ministério Público de São Paulo diz que durante uma discussão com a mãe, Kattwinkel "ficou muito nervoso e acabou por agredi-la, tendo chutado a mãe pelas costas, derrubando-a ao chão". A irmã interveio tentando apartar os dois, mas também foi agredida.
"Hery partiu em direção à irmã, derrubou-a ao chão, sentou sobre as costas dela e passou a agredi-la, golpeando a cabeça dela contra o chão, desferindo-lhe socos e tentando sufocá-la", afirmou o MP. Em seguida, o advogado fugiu do local com o celular da irmã, segundo a denúncia.
Como a pena foi de três meses e Hery é primário, o juiz de primeira instância concedeu a suspensão condicional do processo - benefício no qual o réu precisa cumprir algumas restrições mais brandas por dois anos e o caso é arquivado. A determinação foi Kattwinkel ir a cada três meses no fórum prestar contas do que estava fazendo.
Questionado pelo Estadão , Kattwinkel disse que o episódio se refere a "divergências familiares que já foram superadas". "Hoje convivo muito bem com minha família." Ele também negou as agressões e disse que o que ocorreu foi um "desentendimento familiar", enviando uma foto sua abraçado com a mãe à reportagem.
O advogado está recorrendo da condenação. O caso foi para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 2022, onde aguarda decisão.
Comparação com o Holocausto e expulsão do partido
Além da confusão entre as obras, na sustentação oral desta quinta-feira, Kattwinkel também comparou a prisão dos manifestantes golpistas no presídio da Papuda, em Brasília, com o Holocausto. Moraes chamou a sustentação de "patética" e disse que o advogado "preparou um discursinho para postar em redes sociais".
O advogado disse que Moraes conduzia os processos de forma "política" e foi repreendido pelo ministro, que falou aos estudantes presentes no plenário que Kattwinkel deu "uma aula do que não deve ser feito numa Suprema Corte". O cliente defendido pelo advogado recebeu uma pena de 15 anos de reclusão.
O defensor foi candidato a deputado estadual nas últimas eleições pelo Solidariedade e já foi vereador em Votuporanga. Nesta sexta, 15, a sigla comunicou a expulsão de Kattwinkel, por causa do embate protagonizado com Alexandre de Moraes.
"A direção municipal do Solidariedade em Votuporanga-SP, não compactua com a postura do profissional em atacar a Suprema Corte, ainda que no exercício de sua prerrogativa de defensor constituído, motivo pelo qual comunicamos a expulsão do membro e filiado ao partido", diz a nota do Solidariedade.


