Ela falou ainda sobre a valorização dos salários e dos programas do governo federal de transferência de renda. "São esses brasileiros que querem mais", disse Dilma, afirmando que a população quer melhores serviços. "Querem padrões de transporte público de qualidade, não querem ficar uma parte longa de sua vida no transporte público que ainda é de baixa qualidade", exemplificou. "Esse é um movimento que transforma o Brasil, faz parte de um Brasil pujante. Um Brasil que quer agora ser de classe média", completou a presidente.
Dilma lembrou das manifestações de junho e avaliou que os protestos "não pediram volta ao passado, mas pediram um avanço nos serviços, mais qualidade de vida e mais democracia", disse. "Entender isso é entender que o governo escutou as vozes", completou.
A presidente afirmou que o problema do Brasil é que o consumo é reprimido. "Nos últimos 10 anos nós que assistimos à construção desse mercado interno no Brasil temos consciência de como ele é pujante e a capacidade demanda reprimida criou um potencial de consumo imenso", comentou a presidente.
O processo de desenvolvimento, disse a presidente, "sempre traz desafios" e que não é um "caminho linear". Os desafios, segundo Dilma, precisam ser superados com ação combinada do setor privado e do governo. "Um país continental que tem um dos maiores produtores de alimentos e minério não tem uma malha ferroviária. O Brasil tem demanda reprimida. Isso é um dado fundamental dele. Esses desafios são ainda maiores quando a gente soma a existência da crise mundial", contou.
Crise
Dilma afirmou que o governo está construindo uma malha ferroviária que foi feita há séculos em outros países. A perda do Brasil, por conta da crise mundial, foi por conta da diminuição no comércio internacional, segundo Dilma. "Nosso efeito à crise foi um pouco defasado, mas ele foi inexorável. Ontem (discurso na ONU) eu disse que estamos todos no mesmo barco. Acho que o fato de nós termos essa crise mundial e termos esses problemas que eu disse fez com que tivéssemos de atender esses desafios num curto espaço de tempo", afirmou a presidente. Ela disse considerar que o País atravessou "até muito bem essa situação mais aguda da crise, que começa em 2011, 2012 e tudo indica melhora agora em 2013". "Não esperamos uma grande melhora, mas uma melhora gradual e lenta".
Dilma mencionou que só em 2007 o País iniciou um "grande programa de infraestrutura" e citou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o Minha Casa, Minha Vida. "É importante que os senhores percebam o grande desafio que é um País que formava mais advogados do que engenheiros e que hoje pela primeira vez está formando mais engenheiros do que advogados", afirmou. Ela mencionou que ouviu já uma fala de um amigo que "advogado é custo e engenheiro é produtividade".
Dilma admitiu que o Brasil tem muitos gargalos, e que não são só na infraestrutura. A presidente avaliou que o processos para melhor exigiram novos marcos regulatórios e modificações na atividade pública brasileira, "como as mudanças da burocracia, que é muito empedernida no País".
Segundo ela, esse processo vai exigir "uma modificação acentuada" da forma como o Estado age nas relações privadas, como a com os contribuintes. Dilma citou ainda que o crescimento todo PIB brasileiro na última década situou o País entre as sete maiores economias do mundo e que foi construída no País uma base econômica estável, com condição para outros ganhos.


