Deputado defende ingresso de brasileiros na universidade de Bolívia

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06/06/2014 15h38 — em

No inicio do mês de junho, o deputado estadual Wilson Lisboa viajou para a Bolívia junto com a comitiva da União dos Parlamentares do Mercosul com o intuito de resolver impasses em Santa Cruz de La Sierra, onde estudam pelo menos 20 mil brasileiros. A comissão é formada pela deputada federal Perpétua Almeida pelos deputados estaduais Kennedy Nunes, Eduardo Farias , Francisco Souza, Wanderlei Barbosa.

De acordo com o deputado Wilson Lisboa, o grupo participou de várias reuniões com alunos, reitores das universidades locais, além do Parlamento boliviano, ministérios da Educação e Saúde e Embaixada do Brasil. Nas reuniões foram discutidos vários assuntos referentes ao estudantes brasileiros, que cursam medicina no país, bem como a burocracia para conseguir visto definitivo e as dificuldades para participar de estágio e exame de grado.

Para Lisboa, o encontro na Bolívia foi considerado produtivo e serve para fortalecer a interação entre os países. “O mercado não pode passar batido. Para se ter uma ideia, hoje entram na Bolívia quase 300 milhões de dólares por ano só com ida de estudantes brasileiros e o interesse precisa ser o mesmo nos países do Peru, Paraguai, Uruguai e Argentina. Há demanda e o curso é mais barato do que o Brasil” disse Lisboa.
Avanços
O encontro, entre a comitiva e os ministérios da Educação e da Saúde, mostrou que a falta de comunicação entre o Estado boliviano e os estudantes brasileiros é um dos entraves. Tanto os estudantes não sabiam de ações do governo, como o governo não tinha conhecimento dos problemas enfrentados pelos estudantes. Os deputados brasileiros fizeram a ponte para esclarecer vários pontos divergentes.
Orientação
A orientação da Embaixada brasileira é que o estudante que pretende estudar na Bolívia tire o visto ainda no Brasil, para evitar aborrecimentos.O acordo bilateral entre os países acelera o processo, no entanto, por desconhecimento, muitos estudantes saem do país com o visto para turista.
Portal da Transparência
Após a visita dos deputados em outubro de 2013, o presidente Evo Morales baixou um decreto dando seis meses para que o Ministério da Educação realize o exame. A partir de julho, um portal da transparência vai disponibilizar informações sobe os processos de cada aluno.

Por falta de locais para estágios, muitos alunos são obrigados a esperar até dois anos para conseguir realizar sua província, a comitiva pediu que se avaliasse a possibilidade de que o internato fosse feito no Brasil, com o reconhecimento das instituições bolivianas.

Os deputados solicitaram aos reitores que sejam mais rígidos na inscrição dos alunos. Porque, na tentativa de facilitar o ingresso ao curso, as universidades fazem vistas grossas à falta de um carimbo, ou mesmo um documento. Isso causa grande transtorno depois, impedindo a realização do exame de grado.

Por solicitação da deputada Perpétua, será criado um Grupo de Trabalho, onde terão acento o Ministério da Saúde, o Ministério da Educação, a Associação das Universidades Privadas, o Conselho das Universidades Públicas e representante dos alunos. Esse grupo deverá ser capitaneado pelo Congresso Nacional da Bolívia através da Comissão de Educação e reunir-se, periodicamente, para tratar assuntos como os discutidos durante o encontro com a comitiva brasileira.
Mais médicos
Podem inscrever-se no Programa Mais Médicos países que tenham pelo menos 2,8 médicos para cada mil habitantes. Enquanto Cuba conta com 6,8 médicos para cada mil habitantes e a Espanha 3,2; a Bolívia possui apenas 1,7 médicos por mil habitantes; no entanto, forma médicos em quantidade suficiente para ingressar no Programa Mais Médicos. Isso não acontece porque os formandos recebem o diploma, mas não o registro profissional, por não terem visto de trabalho permanente no país. A sugestão apresentada foi de as instituições darem, a exemplo do Brasil, o registro como clínico geral, depois o estudante busca a especialidade médica.

Para o deputado Kennedy, a Bolívia vai aumentar seu índice de médicos por habitantes e os formandos poderão participar do Programa Mais Médicos. “Seria interessante que médicos brasileiros egressos das universidades bolivianas pudessem participar do Mais Médicos e ocupar as inúmeras vagas existentes”, vislumbra Kennedy.

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