Manaus/AM - O tenente da Aeronáutica Caíque Assunção dos Santos, Alexandro Carneiro Capote, Carlos Augusto da Silva Freitas, Dionas Pereira de Souza e Ronan Benevides Freire Massulo foram presos nesta terça-feira (14) durante a segunda fase da Operação Tormenta, coordenada pelo 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP). A ação desarticulou um esquema milionário de agiotagem, extorsão, roubo e lavagem de dinheiro no Amazonas.
Segundo o delegado Cícero Túlio, a investigação começou em janeiro e já dura cerca de cinco meses. “Identificamos a existência de uma organização criminosa formada por diversos grupos de agiotas interligados, que vinham praticando extorsões, principalmente contra servidores do Tribunal de Justiça do Amazonas e de outros tribunais sediados no estado, como o Tribunal de Contas, TRT e Justiça Federal”, explicou.
Ele destacou que os criminosos ofereciam empréstimos clandestinos com juros abusivos que chegavam a 50% ao mês. “Quando as vítimas não conseguiam pagar, eles tomavam compulsoriamente veículos, joias, imóveis e até administravam aplicativos bancários para confiscar salários. Era uma quadrilha que operava de forma concatenada, repassando dívidas entre grupos e perpetuando cobranças infinitas”, disse.

Durante a primeira fase da operação, sete pessoas já haviam sido presas e mais de meio milhão de reais bloqueados. Mesmo assim, parte da quadrilha continuava atuando. “Emissários desses criminosos seguiam praticando extorsões, realizando ameaças e até debochando da atuação do Judiciário e da Polícia Civil”, relatou o delegado.
Na ação desta terça-feira, foram cumpridas cinco ordens de prisão preventiva, além da apreensão de oito veículos de luxo, armas, dinheiro em espécie e equipamentos eletrônicos. “Também conseguimos bloquear ativos financeiros e criptomoedas em nome dos investigados. Agora vamos intensificar as diligências para identificar outros integrantes e novas vítimas”, afirmou Túlio.
O delegado confirmou ainda que um dos investigados, Bruno Luan Vasques, está foragido. “Ele atua em uma organização criminosa ligada ao tráfico de drogas e é genro de um narcotraficante conhecido como Marcelo Jogador. Vamos representar por novas medidas cautelares e contamos com o apoio da imprensa para divulgar sua imagem”, disse.
Segundo Cícero Túlio, mais de 50 veículos já foram apreendidos nas duas fases da operação. “A maioria foi deixada como garantia de empréstimos ou adquirida com dinheiro ilícito. Muitas vítimas perderam imóveis e automóveis em razão da atuação criminosa desses agiotas. Nosso trabalho agora é identificar novas vítimas e aprofundar o inquérito para responsabilizar todos os envolvidos”, concluiu.



