Manaus/AM - Ingrid Tavares, 25, que afirma ter sofrido uma tentativa de estupro enquanto fazia uma corrida por aplicativo com o motorista Marcelo Augusto Lima da Silva, contou em coletiva nessa quinta-feira (21), como foi o momento do ataque.
A vítima relatou que o Marcelo simulou um problema no carro e ao descer para verificar, se armou com uma faca e a rendeu no banco de trás.
“Eu entrei no carro normal e não trocamos uma palavra (...) Em questão de minutos, ele pegou uma rua vazia e disse: Eu preciso ver esse barulho do carro. E se abaixou, nisso que ele se abaixou, já veio com uma faca enorme e já foi para trás do banco apontado para o meu pescoço”, declara.
Ingrid disse que implorou para não ser morta e nesse instante, Marcelo pediu para ela ficar calma e começou a passar a mão na perna dela.
“Eu implorava para ele jogar a faca e falei: Vamos fazer o seguinte, você joga a faca e eu faço tudo o que você quiser”, disse a vítima.
Marcelo ponderou e jogou a faca fora. Já prevendo que seria violentada, Ingrid pediu para que o homem a levasse para próximo da casa dela.
“Seguimos a corrida e eu falei: Me leva para perto da minha casa que vai ser a minha garantia de vida, que eu vou sair viva de lá”.
A jovem tentou ganhar a confiança de Marcelo, que atendeu o pedido. Ao chegar ao local, o motorista tirou a roupa e puxou um preservativo que já estava aberto no veículo.
No instante em que ele partiu para cima de Ingrid para consumar o estupro, a vítima fingiu que estava passando mal e que iria vomitar.
Marcelo mandou que ela abrisse a porta do carro para vomitar fora e a passageira aproveitou esse exato momento para sair correndo.
“Ele ficou pelado e eu falei para ele: Preciso vomitar porque estou passando mal.
Eu vim o caminho todo tentando bolar um plano na minha cabeça e a única coisa que eu consegui pensar foi isso. E quando ele falou: ‘Abre a porta então para vomitar!’ E nisso eu abri a porta e sai correndo para a minha casa”, detalha.
Assim que chegou, ela postou sobre o que havia ocorrido e publicou em suas rede social a foto de Marcelo.
Para a surpresa de Ingrid, ao menos cinco vítimas reconheceram o homem na postagem e relataram terem sido vítimas dele também.
Em um dos casos, uma mulher da mesma idade de Ingrid, revelou que não conseguiu escapar de Marcelo e acabou sendo violentada por ele na Marina do Davi, na Ponta Negra, no dia anterior.
A mulher contou que após o crime, ele ainda pegou uma Bíblia e leu para ela. Ingrid procurou a polícia e incentivou as demais vítimas a fazerem o mesmo. Por conta disso, Marcelo está sendo procurado, mas até o momento, o paradeiro dele é incerto.
Para Ingrid, ficou o sentimento de injustiça e de medo. “Eu estou presa na minha casa, não consigo trabalhar, não consigo fazer as coisas que eu fazia antes e ele vive a vida dele normal. Então meu sentimento é de injustiça até que ele seja pego”.
Ingrid também revelou que a revolta foi ainda maior quando ao se dirigir a delegacia, a polícia quis enquadrar o caso como importunação sexual e não tentativa de estupro, segundo ela.
“Eu fui na delegacia fazer o meu B.O e eles queriam colocar o caso como importunação sexual e não foi isso, foi uma tentativa de estupro. Eu quase fui estuprada, a minha vida quase foi tirada por uma pessoa”, afirma.
Após o fato, ela procurou ajuda orientação de uma advogada e conseguiu registrar o crime como tentativa de estupro.



