Começam oficialmente nesta segunda-feira (17) os depoimentos do caso do ataque na Catedral de Campinas (SP), que deixou cinco fiéis mortos no dia 11 de dezembro. O pai e a irmã do atirador Euler Fernando Grandolphosão esperados pelo delegado responsável pelo caso, Hamilton Caviola. Vítimas que ficaram feridas e testemunhas presenciais também serão ouvidas.
De acordo com o delegado José Henrique Ventura, que atua no caso, as oitivas estão previstas para começar ainda nesta manhã no 1º Distrito Policial, e espera que todas as falas sejam colhidas em até três dias para agilizar as provas.
Na última sexta-feira (14), um amigo do atirador se apresentou espontâneamente na delegacia e foi ouvido. Ele já tinha escrito um relato no Facebook contando sobre a convivência com Grandolpho e classificou o atentado como "desfecho trágico". O depoimento dele também será considerado na investigação.
Segundo Ventura, nos próximos dias novas pessoas deverão ser intimadas a partir dos primeiros depoimentos.
Segundo Ventura, os depoimentos do pai e da irmã do atirador vão esclarecer sobre a venda da moto que ele possuía e se há relação do dinheiro desta negociação com a compra das armas.
"O pai dele é que vai nos informar. A história inicial é que ele vendeu a moto e o dinheiro havia ficado na conta do pai, que dava pra ele comprar coisas básicas. Em dezembro de 2017 ele já falava nessa arma. O pai e a irmã vão pode esclarecer um monte de coisas na sequência cronológica, quando vendeu, para quem vendeu", explica o delegado.
O delegado afirma que a Polícia Civil já pediu urgência por meio de um ofício para obter as imagens registradas pela Central Integrada de Monitoramento de Campinas (CimCamp) do momento em que Euler entra na Catedral no dia do ataque.
O atirador chegou a trabalhar como auxiliar de promotoria no Ministério Público do estado de São Paulo e exonerou-se em julho de 2014. A Polícia já oficiou o MP para obter mais informações sobre a saída dele do órgão.
"Já fizemos ofício para o Ministério Público pra saber se houve alguma razão especial para a exoneração dele".
Além disso, a investigação busca mais detalhes sobre atendimentos que Euler possa ter recebido em serviços de saúde nas cidades de Campinas e Valinhos (SP), onde morava. O Hospital de Clínicas da Unicamp já confirmou que ele era paciente desde fevereiro de 2017.
As armas ainda estão sendo periciadas e os laudos referentes a essa apuração e também à perícia feita na igreja são esperados ainda para esta semana, informou Ventura.

