Pacotes com fotos e vídeos de abuso sexual infantil estão sendo comercializados no Telegram por valores a partir de R$ 10, com pagamento feito por Pix. Arquivos que variam de 3 GB a 15 GB custam entre R$ 10 e R$ 35, e há grupos privados com milhares de vídeos cujo acesso é cobrado em dólar. Em alguns casos, a entrada é liberada a quem divulga links de indicação, o que transforma compradores em promotores do crime.
A divulgação começa no TikTok. Os criminosos usam vídeos inofensivos, como gatos dançando ou conteúdos gerados por inteligência artificial, para reunir público e publicam comentários em código que driblam os filtros da plataforma. Um monitoramento de mais de 30 perfis ao longo de semanas identificou ao menos 35 links que levavam a canais de venda. No Telegram, as transações ocorrem por robôs automáticos, conversas privadas ou miniaplicativos que funcionam como lojas.
O TikTok afirma que remove rapidamente as publicações, bane as contas envolvidas e comunica os casos ao Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas (NCMEC), dos Estados Unidos. O Telegram diz ter derrubado centenas de milhares de grupos e canais ligados a esse tipo de material em 2026. Levantamento da SaferNet Brasil, porém, apontou que quase 2 mil endereços denunciados no aplicativo seguiam ativos.
Produzir, distribuir, vender, comprar ou armazenar esse tipo de conteúdo é crime no Brasil, e as penas foram endurecidas neste ano. Investigadores da Polícia Federal destacam que, mesmo com o uso de contas de terceiros, as transferências via Pix deixam rastros que ajudam a identificar vendedores e compradores.
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