Manaus/AM - A polícia de Manaus prendeu um rapaz de 17 anos que manteve a namorada, de 20 anos, presa dentro de casa por três dias. Durante esse tempo, a jovem passou por momentos de terror, sofrendo agressões e abusos enquanto o rapaz usava drogas. Quando os policiais chegaram, encontraram a vítima com várias marcas de machucados pelo corpo. Para o delegado Paulo Mavignier, o caso mostra como alguns jovens não respeitam o limite do outro: "O que chama atenção para a gente é a questão da banalização da violência nos relacionamentos, onde um adolescente acha que pode dispor da liberdade de ir e vir e da liberdade sexual de outra pessoa".
Essa não foi a primeira vez que o adolescente atacou a jovem. Em setembro do ano passado, ele já tinha sido detido por espancá-la, mas foi solto pouco tempo depois com a condição de não se aproximar dela. Mesmo assim, ele voltou a procurá-la e o casal reatou o namoro recentemente, o que terminou em um novo cativeiro. A delegada Joyce Coelho explicou a situação cruel que a vítima enfrentou: "Ela nos relatou que nesses três dias ele a trancava dentro da casa e, nos intervalos do consumo de drogas, praticava diversas violências, inclusive relações não consentidas".
Na hora da chegada da polícia, o rapaz tentou fugir e resistir, mas foi contido pela equipe. Mesmo após ser levado para a delegacia, ele não demonstrou arrependimento e continuou sendo agressivo, chegando a dizer que mataria a namorada assim que saísse da detenção. Por causa dessa ameaça, a polícia quer que ele fique internado por mais tempo desta vez. "Esperamos que ele consiga um período de internação maior para que possa realmente ser responsabilizado, até porque ele chegou a mencionar que, se fosse solto, mataria a namorada", afirmou a delegada.
O caso serve como um alerta sobre a necessidade de educar melhor os jovens para evitar que o machismo e a violência dominem seus comportamentos desde cedo. As autoridades reforçaram que punir é necessário, mas que o trabalho de base com as famílias é essencial para mudar essa realidade. Como destacou a Dra. Joyce ao encerrar o caso: "Precisamos não só prender os autores adultos, mas educar as crianças desde cedo e responsabilizar os adolescentes para que entendam a gravidade de suas condutas".


