Após três anos, a Polícia Federal indiciou o ex-secretário de Segurança-Pública do Amazonas, coronel Louismar Bonates e o coronel da Polícia Militar (PM), Airton Norte, por envolvimento em uma chacina de oito pessoas na região do Rio Abacaxis, no interior do Amazonas, ocorrido em agosto de 2020.
O caso aconteceu na região entre o município de Nova Olinda do Norte e Borba, após a morte de dois policiais militares na região, onde a PM fez uma operação com mais de 50 homens na região.
Em julho de 2020, o então secretário executivo do Governo do Amazonas, Saulo Rezende Costa, foi baleado no braço após tentativa de entrar com uma lancha particular em uma área proibida para pesca esportiva, no município.
Em seguida, quatro policiais militares à paisana foram até a área na mesma lancha usada pelo secretário para prender os atiradores e no confronto, dois policiais morreram, fato que levou o Governo do Amazonas a anunciar uma grande operação na região, sob a justificativa de desarticular uma quadrilha que aterrorizava os moradores.
Relatos de cerca de cem famílias de onze comunidades revelaram a prática de tortura para indicar o destino dos assassinos dos policiais.
A Polícia Federal só foi enviada ao município após uma decisão judicial, para apurar os relatos e garantir a proteção de indígenas e povos tradicionais.
A medida atende determinação do Governo Federal, para apoio à ação da Polícia Federal na região do Rio Abacaxis.
O resultado das investigações da Polícia Federal mostrou que os militares, sob o comando do coronel Airton Norte, invadiram casas sem ordem judicial, torturaram dezenas de moradores e assassinaram cinco pessoas, entre indígenas e ribeirinhos, além de deixar desaparecidas outras duas pessoas cujos corpos teriam sido jogados no Rio Abacaxis.
O indiciamento de Bonates foi pelos crimes de homicídio, tortura, associação criminosa, cárcere privado, obstrução, entre outros delitos aconteceu porque nas conclusões da PF, ele usou o cargo para viabilizar o que foi denominado de “operação de extermínio”, com a prática de vários crimes.
Além do indiciamento dos dois, a PF investiga cerca de 130 policiais, entre civis e militares, acusados de participar das ações e acobertar os suspeitos.
A defesa dos dois à época declarou que eles não haviam praticado nenhum crime e estavam à disposição tanto da polícia quanto da Justiça.

