Manaus/AM - Gabriel Ferreira da Rocha, estagiário do Sistema de Segurança Pública do Amazonas, está entre os membros de um grupo preso na última sexta-feira (22), suspeito de fraudar atestados médicos, de óbitos e receituários em Manaus.
A denúncia chegou à polícia por meio de uma equipe de reportagem que recebeu a informação. Segundo o delegado Cícero Túlio, o estagiário preso é marido de Kerolen Carvalho de Souza, considerada líder do grupo criminoso.
“Durante as investigações foi identificado a participação de um estagiário do Sistema de Segurança Pública do Amazonas (...) Prendemos então esse suspeito que era companheiro da principal líder dessa organização criminosa", explica.
Além deles, Adrya Santos Coutinho e Sandro da Silva Costa também são suspeitos do crime. O grupo foi preso em diversos pontos da cidade.
Com Gabriel foram apreendidos vários atestados falsos e carimbos. Na casa dele também foram encontrados equipamentos eletrônicos usados para confeccionar esses materiais.
O delegado afirma que não há a participação de médicos no esquema e que todos os nomes dos profissionais usados nos carimbos eram pesquisados nos hospitais.
“Eles realizavam pesquisas dos nomes dos médicos nas unidades de saúde e mandavam confeccionar esses carimbos para usar nas falsificações desses documentos”.
Todos os médicos que tiveram os nomes encontrados nos atestados terão que se apresentar na delegacia, mas eles estarão na condição de vítimas.
A polícia suspeita que os quatro presos na Operação Calvário, tenham ligações com servidores do INSS e que os mesmos facilitavam os golpes.
“Muito possivelmente existia contato dessa quadrilha com servidores do INSS. Isso vai ser objeto de um desdobramento para que a gente possa identificar, se realmente havia essa participação, qual seria esse vínculo e o fim dessa ligação dessa quadrilha e os servidores”, diz Cícero.
O delegado revelou também que Kerolen já tinha cometido fraudes de benefícios junto ao INSS antes, fato que reforça a suspeita da participação dos servidores.
Cícero conta que no caso dos atestados médicos falsos, o valor da venda variava de acordo com a quantidade de dias de afastamento que os “clientes” pediam.
“Um atestado de um dia eles vendiam de R$ 50 a R$ 70. De dois a quatro dias era R$ 80 e assim sucessivamente”.
Além do envolvimento na falsificação de atestados, os presos ainda são investigados por operarem um esquema de venda de remédios para aborto.
“Eles também operavam um esquema de venda de remédios para abortos, inclusive, com assessoria virtual no momento em que essas pessoas estavam realizando esses abortos”.
Após as prisões, os suspeitos também teriam confessado que abriam contas em bancos digitais em nomes de terceiros para despistar a polícia.
Kerolen, líder do grupo, é quem comprava e vendia os abortivos pela internet por meio de perfis falsos. A polícia vai averiguar se ela comprou os medicamentos com profissionais da área de saúde.
Quem comprou os remédios e os atestados falsos também serão alvos de investigação nos próximos dias, após a Justiça autorizar a quebra de sigilo dos celulares dos membros dos grupo para levantar a lista de clientes dos mesmos.

