Manaus/AM - A Polícia Civil deu detalhes sobre a segunda fase da "Operação Meia Verdade", e prendeu mais dois integrantes de uma organização criminosa responsável por fraudar o sistema de meia-passagem estudantil em Manaus. A ação ocorreu na última sexta-feira (16), e resultou na captura de um casal responsável pela empresa fictícia Tutorinfo, que simulava oferecer cursos livres.
Conforme a apuração a Tutorinfo tinha mais de 2 mil falsos cadastros de alunos que recebiam o benefício sem ter direito algum. O primeiro núcleo da quadrilha já havia sido desarticulado com a prisão de quatro pessoas — dois homens e duas mulheres — que vendiam o serviço ilegal nas redes sociais.
O segundo núcleo, agora desmantelado, era responsável por manter empresas de fachada utilizadas para cadastrar falsos estudantes junto ao sistema de transporte público.
"Ela fazia-lhe oferecia alguns serviços, alguns cursos principalmente cursos livres, mas durante a investigação nós percebemos que esses cursos eram totalmente fictícios, não existiam, eram apenas cabides para que eles pudessem ali cadastrar as pessoas que utilizavam esse serviço. A partir daí, nossa equipe entrou em campo e a gente conseguiu na tarde da sexta-feira fazer a prisão desses dois indivíduos que são responsáveis por essa empresa", diz o delegado Charles Araújo.
A Tutorinfo, apontada como uma dessas empresas, teria cerca de 2 mil cadastros fraudulentos. Todas as carteiras já foram identificadas e serão canceladas.
"Durante as investigações, a gente percebeu que somente essa empresa, essa Tutorinfo, ela teria em torno de 2.000 alunos. É bom que se diga, não eram alunos de verdade, os cursos não existiam, eles existiam apenas para cadastramento da essas pessoas junto ao Sinetram. E após esse cadastramento, eles conseguiam ali emitir as carteirinhas de estudante. Então, pelo menos nessa empresa, nós teríamos 2.000 pessoas. Já estão catalogadas as pessoas, as suas carteiras serão todas canceladas, é importante que se preste isso".
De acordo com a Polícia Civil, o esquema causava um prejuízo estimado em R$ 3 milhões por ano aos cofres públicos, valor que saía dos impostos da população amazonense para subsidiar passagens de pessoas que não tinham direito ao benefício.
As investigações continuam, já que há suspeita da existência de outras empresas envolvidas no mesmo tipo de fraude. “Com essa operação, conseguimos retirar de circulação um grupo criminoso que vinha lesando a população. Agora, nossa cidade está mais segura e esse prejuízo será cessado”, destacou.

