Os massacres dentro de presídios, que somente em 2017 resultaram em 129 mortes, expuseram a falta de segurança pública que acontece no Brasil há décadas, impulsionada pelo tráfico de drogas e pelo livre trânsito de entorpecentes nas fronteiras.
Na última sexta-feira (7), seis detentos foram mortos dentro da Unidade Prisional do Puraquequara. Dessa vez, não houve rebelião e as mortes foram motivadas por um racha da facção criminosa Família do Norte.
As mortes não puderam ser evitadas mesmo com o empenho das autoridades que desde o massacre no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) no dia 1º de janeiro têm reforçado as revistas em todos os presídios. Segundo o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil do Amazonas (OAB-AM), Epitácio Almeida, as autoridades já haviam sido informadas de que estes crimes poderiam acontecer e por isso os detentos estavam trancados em suas celas para evitar um novo massacre, porém os internos acabaram sendo mortos por seus próprios companheiros.
Relembre as rebeliões
No dia 1º de janeiro, 56 detentos foram mortos, em sua maioria decapitados, durante uma rebelião no Complexo Penitenciário Anísio Jobim. No mesmo dia, 225 presos fugiram do Compaj e Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat). Até hoje, mais de 90 continuam foragidos.
No dia seguinte, mais 4 detentos foram decapitados. Dessa vez, na Unidade Prisional do Puraquequara, durante um princípio de rebelião. Na ocasião, 17 internos do PCC seriam mortos, mas a polícia chegou a tempo de evitar um massacre maior.
Como a disputa acontecendo entre as facções, o Governo reativou a cadeia Raimundo Vidal Pessoa para abrigar os presos pertences ao PCC. Porém, no dia 8 de janeiro, mais cinco foram mortos no local. Na época, a Seap negou que as mortes tivessem sido motivadas por brigas entre facções.
No dia 6 de janeiro, como reflexo do massacre em Manaus, 33 detentos foram mortos na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, em Roraima. Apesar do então ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, negar ligação entre os dois massacres, vídeos das decapitações mostram que os crimes foram uma vingança do PCC.
Poucos dias depois, uma rebelião no presídio de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte, resultou em 26 mortes e o motivo também foi briga entre facções.
Na Penitenciária Odenir Guimarães, em Goiás, 5 presos morreram e 35 ficaram feridos durante um conflito entre os internos no dia 23 de fevereiro.
Tráfico de drogas
Todos os crimes são motivados por um único fator: tráfico de drogas. A tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia e as rotas de tráfico são o principal motivo da disputa entre as facções que querem ter o controle dessas rotas.
No Amazonas, por exemplo, o tráfico é feito basicamente pelo rio Solimões em que o municipío de Manacapuru é abastecido para depois fazer a distribuição para a capital.
É pelo rio que os entorpecentes são transportados até Manaus, seguindo para outros estados e partindo também para o exterior, incluindo países do continente europeu. A área, conhecida como Trapézio Amazônico, compreende as fronteiras entre Brasil, Peru e Colômbia, é o principal motivo da briga entre os grupos.

