Manaus/AM - Um condutor escolar clandestino, não identificado, é acusado de abusar sexualmente da própria sobrinha aos 8 anos de idade. Os abusos aconteciam na residência onde ele morava no bairro Terra Nova, zona Norte de Manaus. Além da menina, que atualmente tem 15 anos, outras 7 crianças teriam sido vítimas do homem.
De acordo com o relato da jovem, S.G, o homem é casado com a tia por parte de mãe e sempre ia para casa dele brincar com as primas, que estavam na mesma faixa etária. “Na primeira vez, eu estava em sentada no sofá com a minha prima e ele em outro cômodo só de toalha. Mesmo com a filha dele do meu lado, ele não se intimidou e abriu a toalha mostrando o pênis para mim, eu fiquei assustada e troquei de lugar na hora”, disse.
A menina não contou a ninguém o que tinha acontecido, e o episódio voltou a se repetir. Na segunda vez, a adolescente estava brincando com a prima quando bateu o braço. Ela decidiu buscar ajuda com o tio para aliviar a dor. “Ele disse que eu tinha que fazer o sangue circular e colocou a mão em cima do órgão genital. Eu me assustei e disse que tinha que ir para casa, a filha dele, que é só 1 ano mais nova, também estava presente nesse episódio, mas não sei se ela percebeu”, relatou S.G.D.S
Na última vez, a menina foi dormir na casa dos tios e quando acordou, ela estava sozinha no quarto com o suspeito. “Ele sentou na cadeira e eu fiquei no canto, foi quando ele me puxou, me fez sentar no colo, passou a mão no meu corpo e lambeu meu pescoço. Corri e procurei outra pessoa na casa”, contou a vítima.
A jovem encontrou a tia, não identificada, e relatou tudo o que tinha acontecido. A mulher afirmou que a mãe da vítima era “escandalosa” e que não deveria contar nada a ninguém porque as “primas iriam passar fome”. “Ela olhou para mim e disse ‘Você quer ver as meninas passando necessidade?’ eu respondi que não e ela me disse para ficar calada”, afirmou.
Mesmo com a chantagem, a criança contou o fato a mãe que tentou resolver entre a família e confrontou o suspeito que negou tudo. Segundo a vítima, a própria tia tentou difamá-la dizendo que a menina faltava aula, se envolvia com mulheres, prostituição, entre outros coisas. “Abracei a minha tia, pensei que ela ia me ajudar, achei que fosse alguém para me proteger”, desabafou a jovem.
Devido o trauma dos abusos, a menina começou a mutilar várias partes do corpo. “Eu só percebi a real gravidade da situação quando comecei a entender o que tinha acontecido, eu não sabia o que significa sexo aos 8 anos e nem ser violada. Comecei a sentir nojo de mim mesma por não ter contado, por ter sido tocada. Eu via algo em mim que não era bom e comecei a me machucar nas pernas, braços, barriga. Tenho cicatrizes em todas as partes do corpo, o peso de esconder isso foi tão alto que eu dormia e acordava pedindo a Deus que me levasse”. descreveu a vítima.
Parentes ficaram sabendo do caso porque a esposa do suspeito começou a contar a versão deles dos fatos. Para esclarecer tudo, a mãe relatou o que realmente tinha acontecido, e foi quando os outros casos vieram à tona.
Em uma das conversas, uma mulher contou a mãe da vítima que a filha também tinha falado sobre a mesma coisa, mas achava que era mentira. Os outros então foram sendo descobertos, totalizando 7 crianças, entre meninos e meninas na mesma faixa etária, que também seriam vítimas do suspeito além da sobrinha. Os casos foram registrados na Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca).
A vítima informou que denunciou o caso a mídia para que alguma providência fosse tomada “Ele é condutor clandestino de crianças que tem a mesma faixa etária das vítimas. A justiça aparentemente tá parada e eu sei, as outras vitimas também sabem, a dor que é não só guardar isso, mas passar por isso e se sentir culpado. Eu não quero que nenhuma outra criança sinta que seu corpo, que não tem culpa de nada, é sujo. Não quero ver nenhuma outra criança com marca no braço, nem nada. Não quero que mais ninguém se sinta assim”, relatou.
A jovem deixa um recado para crianças e adolescentes que passaram ou passam pelo mesmo trauma “A culpa não é tua, você não fez nada de mal, alguém invadiu a tua inocência. Você não tem culpa nenhuma, você é inocente e não é porque ele te tocou que isso mudou”.
Crianças de escola também teriam sido assediadas
Alunos de uma casa próxima a escola do suspeito teriam sido assediadas pelo homem. A diretora da unidade de ensino informou que pelo menos 4 crianças chegaram chorando ao colégio relatando que, quando passavam em frente a residência do acusado, ele abria a toalha mostrando o pênis e chamava os alunos. A gestora representou uma denúncia contra ele no Conselho Tutelar.

