Manaus/AM - A polícia descobriu que a cobradora de ônibus, Jeane Castro, 38, assassinada pelo próprio marido, Cledson Melo de Albuquerque, 51, era vítima de violência doméstica constante por parte do companheiro. Uma das agressões ocorreu sete dias após ela perder um bebê.
Familiares e amigas da vítima contaram que o casal tinha um relacionamento conturbado, que durou dois anos e foi marcado por agressões de Cledson contra Jeane.
Os depoimentos revelaram que a mulher chegou a ser agredida quando se recuperava de um aborto sofrido no quinto mês de gestação.
“A irmã da Jeane relata que em dezembro, a Jeane perdeu o bebê, a gestação dela foi interrompida, não sabemos se foi provocado ou se ela sofreu alguma violência. Mas uma semana depois que ela havia perdido esse bebê, já com cinco meses de gestação, ele bateu novamente nela”, conta a delegada Marília Campelo.
As surras eram constantes e como a família pedia que ela deixasse Cledson, com o passar do tempo, Jeane passou a esconder os episódios de violência e nunca registrava boletim de ocorrência.
“A família ficou muito revoltada por ela retomar esse relacionamento. Então, ela passava a não contar mais as coisas para a família, mas as amigas vieram e relataram vários casos de violência, infelizmente”.
A partir daí, os investigadores descobriram que Cledson já tinha comportamento agressivo e que já tinha feito outras vítimas. “ A ex-companheira dele já fez uns dois ou três boletins, inclusive, ela alega nos boletins que ele batia tanto nela quanto na filha dela, que era adolescente. Então, é um histórico de muitos anos, de uma pessoa agressiva”, afirma a delegada.
Os vizinhos também confirmam as agressões e foram fundamentais para ajudar a polícia a entender a dinâmica do crime.
“Os vizinhos vieram, disseram que bem cedo da manhã, ouviram ela dizer: ‘abre essa porta’, como se ela quisesse sair. A irmã dela relata que já foi vítima de cárcere privado praticado por ele em outro local onde eles moravam. Então provavelmente ali estava havendo mais uma tentativa dessa. Os vizinhos ouviram móveis arrastando, podia ser que ele estivesse tentando impedir que ela saísse”.
Infelizmente, Jeane não conseguiu romper com o ciclo de violência que vivia e acabou perdendo a vida pelas mãos do próprio marido.
“Havia escoriações na face, nos lábios, no crânio. Também uma unha quebrada com sinais de luta. A causa da morte é asfixia por sufocação”, detalha Marília.
Antes de Cledson, Jeane teve outro relacionamento no qual também era vítima de violência doméstica.

