Manaus/AM - Um funcionário da recepção do Hospital Nilton Lins (Hapvida), identificado como Will Vasconcellos, foi vítima de agressão física e injúria homofóbica por uma cliente em Manaus na quarta-feira (1). O caso, que ocorreu no local de trabalho do jovem, foi registrado na polícia e causou uma crise de ansiedade na vítima, que precisou ser afastada do trabalho no dia seguinte.
Com mais de dez anos de experiência em atendimento ao público, Will relatou que jamais havia passado por uma situação de tamanha violência.
O incidente começou quando uma paciente procurou a recepção para uma sessão de acupuntura, mas estava com a data errada do agendamento. Segundo Will, após explicar que não poderia fornecer uma declaração de comparecimento sem o atendimento, ele se ofereceu para encaixar a paciente em uma vaga de desistência. A paciente optou por retornar no dia seguinte.
O problema escalou quando a filha da paciente entrou na sala. Will relata que a jovem se mostrou "furiosa", culpando-o pela situação, exigindo a declaração e iniciando uma série de xingamentos de baixo calão.
"Tentei resolver chamando a coordenadora, sugeri encaixá-la com a acupunturista para adiantar o procedimento e evitar confusões. A própria acupunturista aceitou, e o atendimento ocorreu", contou Will.
Apesar da solução, a agressividade da filha da paciente não cessou. O funcionário conta que, em meio aos xingamentos, a agressora proferiu insultos homofóbicos contra ele. Foi nesse momento que Will iniciou a gravação da situação.
A atitude da agressora se tornou física. Will foi atingido por tapas no rosto e no braço, teve seu celular derrubado e recebeu uma ameaça de morte: "Vou mandar matar esse boiola", teria dito a cliente. As agressões continuaram, com a mulher chegando a atirar um carregador contra o funcionário.
A mãe da agressora, que estava presente para o atendimento, não interveio em defesa do recepcionista.
A coordenadora do setor ainda tentou um diálogo posterior com a agressora, mostrando a gravação das agressões. No entanto, a jovem se recusou a se retratar, afirmando que não queria "ver o menino" na frente dela.
Após o ataque, Will acionou a polícia e registrou um Boletim de Ocorrência. Ele recebeu apoio da coordenadora e de testemunhas que presenciaram toda a cena.

