Um vídeo que voltou a circular nesta semana reacendeu a repercussão de um episódio ocorrido em outubro de 2025 na 3ª Vara de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. Durante uma audiência de um processo que apura a atuação de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), o advogado de defesa fez uma declaração que o juiz responsável pelo caso interpretou como uma possível ameaça de morte, o que motivou a abertura de um inquérito policial para apurar o episódio.
O defensor, que atuava pela libertação de uma das rés do processo, pediu ao magistrado a revogação das prisões preventivas. Antes disso, ele havia citado um ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo assassinado poucas semanas antes, em um comentário que o juiz classificou como uma referência inesperada e fora de contexto para aquela audiência. Ao ouvir do magistrado que os pedidos seriam avaliados conforme a legislação, o advogado afirmou temer que ele não conseguisse "adentrar ao Elísio", expressão que, segundo explicou depois, se referia ao paraíso.
Surpreso com a fala, o juiz perguntou diretamente se aquilo se tratava de uma ameaça. O advogado negou, alegando que a menção dizia respeito apenas à mortalidade humana e ao destino de todas as pessoas após a morte. A explicação, no entanto, não convenceu o magistrado, que afirmou nunca ter presenciado declaração semelhante em quase duas décadas de carreira e em diversos processos ligados à facção criminosa.
O caso foi levado à Polícia Civil de São Paulo, e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) solicitou a abertura de um inquérito para investigar se houve tentativa de coação no curso do processo. O advogado nega qualquer intenção de intimidar o magistrado e afirma que sua fala foi mal interpretada. A investigação segue em andamento para esclarecer o contexto da declaração e apurar se houve conduta criminosa.



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