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Adolescente indígena diz que bebeu gasolina antes de assassinar pai no Amazonas

Adolescente indígena diz que bebeu gasolina antes de assassinar pai no Amazonas
Adolescente indígena diz que bebeu gasolina antes de assassinar pai no Amazonas

Manaus/AM - O adolescente indígena, de 15 anos, apreendido em maio suspeito de matar o próprio pai, confessou o crime durante audiência de continuação, nesta sexta-feira (16), e disse que havia ingerido gasolina após ser proibido de comprar bebida alcoólica. O crime ocorreu na rua do Aterro, bairro de Fátima, em Eirunepé (AM), região em que vivem muitos indígenas da etnia Kulina, à qual o rapaz pertence.

De acordo com o Ministério Público do Amazonas, a situação aconteceu no dia 25 de abril deste ano. O jovem, que não fala a língua portuguesa e precisou de um intérprete, explicou que as facadas foram desferidas durante uma discussão com o pai, após ele ter pedido dinheiro para comprar bebida alcoólica e aquele ter negado. 

"O adolescente contou que, na falta da bebida, passou a ingerir gasolina e o pai o agrediu fisicamente, levando-o a reagir com o uso da faca. Ele tomou conhecimento de que as facadas haviam sido fatais somente na delegacia", diz o MP. 

Policiais e representantes da comunidade indígena também foram ouvidos na audiência. Conforme os relatos, no momento do crime, havia outros indígenas presentes, que testemunharam o ato e informaram às autoridades sobre o seu autor.

O Promotor de Justiça responsável pelo caso, Caio Lúcio Fenelon Assis Barros, disse entender que o fato foi uma vingança contra o pai e, portanto, pediu a condenação do infrator por homicídio, com algumas condições.

“Foi possível perceber que, apesar de merecer ser condenado por este ato infracional, a medida socioeducativa cabível, conforme pedido pelo MPAM, seria liberdade assistida e a prestação de serviços à comunidade. Mas, entendendo e respeitando os costumes locais das comunidades tradicionais, nos termos da Constituição Federal, esses serviços teriam que ser realizados dentro da própria aldeia, e seria responsabilidade do cacique supervisionar as atividades do adolescente e garantir que ele seja reintegrado ao convívio social de sua etnia”, declarou o Promotor de Justiça.

O pedido do MPAM foi acolhido pela juíza Lídia de Abreu Carvalho, da Comarca de Eirunepé, na sentença publicada nesta quarta-feira (21). 

Com informações da assessoria.

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