Início Governo realiza audiência e mostra atratividade da Cigás a investidores

Governo realiza audiência e mostra atratividade da Cigás a investidores

O Governo do Estado realizou a última Audiência Pública para debater a venda de sua parte na Companhia de Gás do Amazonas, no miniauditório Cônego Walter Azevedo, da Assembleia Legislativa do Amazonas. O governo possui 51% das ações ordinárias (que dão direito a voto) e 17% das ações preferenciais (partilha de lucros e dividendos), que serão postas a venda em leilão na bolsa de valores.

Durante a audiência, foi apresentado o estudo sobre os aspectos jurídico, técnico e financeiro da estatal, encomendado a um grupo formado pelo escritório Saad Advogados, à Concremat Engenharia e ao Banco Pactual BTG. O valor estimado para venda da companhia é de R$ 200 milhões.

De acordo com o representante da Saad, Renan Saad, a Cigás hoje se apresenta como uma empresa muito jovem, muito enxuta e com poucos passivos, o que a torna bastante atraente aos interessados. “São vantagens muito importantes, que criam um ambiente muito propício para a alienação”, argumentou, informando que a partir do estudo e da aprovação do marco regulatório para o setor de gás, aprovado pela Assembleia Legislativa, o edital do governo já pode ser concluído e lançado.

Falando sobre os aspectos técnicos da empresa, o representante da Concremat, Daniel Vanegas apresentou os números da Cigás desde a sua criação até a presente data, reforçando o aspecto da atratividade da empresa dentro do mercado nacional. O Amazonas possui reservas de gás próprias (11,3% das reservas nacionais), sendo o terceiro maior distribuidor do país (15,5%), e tem ainda um potencial de 2,8 milhões/m³/dia para ampliação de vendas.

A empresa, que é administrada pelo governo do Estado e Manaus Gás S/A, é hoje a 11ª no país em volume comercializado, apesar de ser a mais nova dentre as 27 distribuidoras de gás nacionais. Tecnologicamente, a Cigás também possui a única rede do país com sistema de fibra ótica com sensores e circuito de tevê para monitoramento da passagem do gás, além de um sistema catódico anti-descarga atmosférica.

No perfil financeiro, apresentada pelo representante do Banco Pactual, Mauro Batisti, o desempenho da Cigás também revela-se estimulante aos investidores, haja vista o investimento de R$ 150 milhões realizado até o momento, para um crescimento acumulado de 284,2% ao ano. Hoje a Cigás comercializa 2,6 milhões/m³/dia, de um volume contratado de 5,5 milhões/m³/dia junto à Petrobras. 

De acordo com Batisti, a receita da companhia saltou de R$ 83,5 milhões em 2010, para R$ 637,3 milhões em 2011 e chegou a R$ 1,232 bilhão em 2012. A Cigás também demonstra um crescimento acelerado nos lucros, apesar de ter obtido um resultado negativo de -6,1% no lucro líquido do primeiro ano (receita R$ 4 milhões – despesas R$ 5,1 milhões), a partir do segundo ano chegou a saldo de R$ 31,2 milhões (2011) e R$ 38,3 milhões no terceiro ano (2012).

Após a audiência, a última do processo de desestatização da Cigás, o procurador geral do Estado, Clóvis Smith, disse que o próximo passo agora é a publicação do edital, cuja minuta preparada pela Casa Civil do governo será adaptada à lei do marco regulatório e aos dados do estudo apresentado. O governo terá de cumprir o prazo de 15 dias úteis entre a audiência e a publicação, mas ele acredita que até o final deste ano, ou princípio de 2014 o processo todo estará concluído.

Histórico

A Cigás é a concessionária pública responsável pela distribuição de Gás Natural no Estado, sendo uma empresa de economia mista com ações do governo do Estado e do sócio privado, o grupo baiano Manaus Gás. A empresa começou a operar em fevereiro de 2010 e detém a concessão de exploração do serviço por 30 anos.

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