Muito trabalho a partir de 2015

Por Portal do Holanda

04/11/2014 7h28 — em

Eustáquio Libório

O segundo governo de Dilma Rousseff deve começar em 2015, mas a crise, ou seriam crises?, que ela vai herdar da própria gestão se avolumam e ganham  relevância à medida que surgem evidências do comprometimento de personagens lotados em altos cargos da República.

Não bastasse os escândalos da Petrobras, uma vez que são no mínimo dois, aquele da compra mal explicada da refinaria a preços superfaturados nos Estados Unidos e o caso envolvendo um dos principais diretores daquela estatal, surge, após a eleição, a possibilidade de fraude nas urnas eletrônicas.

Neste caso, conforme material distribuído em redes sociais e pela imprensa, o próprio Partido dos Trabalhadores (PT) já saberia o resultado da eleição presidencial no segundo turno mesmo enquanto Aécio Neves (PSDB), durante a apuração, levava vantagem considerável puração.

O caso é que que o PT divulgou a vitória da presidente minutos antes de a curva da apuração de votos virar a favor da presidente. Quer dizer, se naquele momento a apuração estava restrita e o resultado apontava, como apontou durante quase todo o processo de apuração das urnas para vitória de Aécio Neves, sobra a possibilidade de fraude, como o próprio PSDB já reconheceu e busca reparação na Justiça Eleitoral.

A derrota, na Câmara dos Deputados, do decreto nº 8.243, que criava os tais conselhos de participação popular, na semana seguinte à eleição presidencial, com os votos contrários à iniciativa presidencial de dois aliados como o PMDB  e o PP, dão mostra de que a base aliada já não está assim tão alinhada com o governo, seja porque o decreto, na visão de líderes do Congresso Nacional, interferia em prerrogativas dos parlamentares, seja porque o tal decreto conferia poderes ao secretário da Presidência da República para nomear membros desses conselhos.

Aos críticos dos petistas ficou transparente a intenção de usar os conselhos como mais uma forma de aparelhamento de um órgão público voltado para interferir em decisões de políticas públicas por membros indicados pelo governo.

No entanto, o segundo mandato de Dilma Rousseff vai encontrar os três poderes muito próximos, senão unidos, em janeiro de 2015. Essa união decorre da apuração e julgamento dos escândalos nos quais a administração da presidente Dilma aparenta estar envolvida, assim como parlamentares e, na outra ponta, o Judiciário como órgão onde a decisão de punir ou não será tomada.

Com um ministro da Fazenda praticamente demitido, mas que se mantém à frente do ministério pelo menos até o fim de dezembro, o ítalo-brasileiro Guido Mantega espelha com transparência o desgoverno que supostamente gere o Brasil, enquanto a inflação cresce, o dólar se valoriza e os investidores pensam dez vezes antes de tomar a decisão de vir para o Brasil.

A centralização de decisões ante o governo central é um dos motivos, por exemplo, que levou o superintendente da Suframa, Thomaz Nogueira, a também anunciar sua saída da agência de desenvolvimento no máximo até o fim deste ano. Thomaz alega a falta de autonomia e a dependência ao ministério ao qual a autarquia está ligada como fatores que inibem a atividade da Suframa.

È por essas e outras situações que o segundo mandato de Dilma Rousseff vai concretizar o que ela prometeu em sua fala na proclama do resultado das urnas: vai ter que trabalhar muito mais do que até agora.

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