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Silas Câmara: livre, leve e serelepe graças a Deus


Por Elizabeth Menezes

24/03/2024 16h41 — em
Ombudsman



Na última sexta-feira (22), depois de vencer uma nova batalha que o manteve no sétimo mandato, o deputado federal Silas Câmara (Republicanos) agradeceu a Deus, aos pastores de sua igreja Assembleia de Deus, e também aos mais de 125 mil eleitores que votaram nele. Pelo menos nas redes sociais, onde comemorou a vitória, ele esqueceu de agradecer aos juízes do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) que, por 4 a 2, anularam votação anterior, que havia decidido pela cassação do mandato. Por coincidência, a votação pela cassação do mandato, no dia 31 de janeiro, também foi por 4 a 2. Logo após o resultado da votação de sexta-feira, Silas escreveu no Facebook: “Hoje, o nosso recurso foi votado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM) e vencemos, sendo reestabelecida a Justiça, com a vontade de Deus e do povo do Amazonas, que nos concedeu o mandato, com mais de 125 mil votos. Tenho certeza absoluta que, depois desse longo deserto, chegou esse manancial de Deus. Portanto, a justiça e o nosso mandato está garantido”. 

No X (antigo Twitter), Silas fez agradecimentos: “O povo do Amazonas venceu novamente! Hoje, o nosso recurso foi votado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM) e vencemos, sendo restabelecida a justiça, com a vontade de Deus e do povo do Amazonas. Sinto-me feliz e honrado por esta conquista, que devo a todos os nossos mais de 125 mil eleitores do estado do Amazonas. Agradeço primeiramente a Deus, que nos sustenta; e também aos nossos pastores, líderes e irmãos em Cristo, pelas orações. Seguiremos em frente nessa jornada, levando melhorias de vida para o nosso povo e defendendo a Família, a Pátria e a Liberdade. Deus é fiel!”  Neste domingo 24, o deputado postou fotos no município de Juruá (a 672 km de Manaus), onde participou do lançamento da pré-candidatura do “amigo Ilque Cunha". Depois de se livrar da cassação, Silas já participou de outros eventos compartilhados nas redes sociais. 


O deputado passou por esse contratempo porque o MPE (Ministério Público Eleitoral) o acusou por gastos ilícitos de recursos na campanha de 2022, com fretamento de aviões, que chegaria a quase R$ 400 mil. Além do desvio de função, a exemplo de transportar pessoas não ligadas à campanha e até criança de colo.  Também em alguns voos, Silas não estaria presente. Mas, em meio a argumentos da defesa e pedidos de vistas de integrantes da Corte eleitoral, ele venceu mais uma denúncia, que sequer chegou ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Caso fosse confirmada a cassação, além de ficar inelegível por oito anos, o deputado federal Adail Filho, do mesmo partido, também perderia o mandato. Agora, ambos estão salvos. Ao mesmo tempo, a permanência dele no cargo impediu  que um suplente do União Brasil e outro do PL assumissem. Enfim, Silas Câmara é mesmo duro na queda, como vem demonstrando ao longo dos seus mandatos, tudo registrado pela imprensa.   

“Forças ocultas” 

Ao comentar a nova vitória de Silas Câmara, o diretor-geral deste portal, Raimundo de Holanda, usou a expressão “forças ocultas” na votação do TRE. Na Coluna Bastidores da Política, o texto começa assim: “Aconteceu o que estava previsto: as forças ocultas atuaram e Silas Câmara (Republicanos), que estava praticamente com o mandato cassado pelo ´crime de captação e  gastos ilícitos na campanha de 2022´,  acabou absolvido pelo Tribunal Eleitoral. Completou: “Foi Deus”, disse Câmara, ao comemorar o resultado. Mas tem muita gente achando que foi o diabo”. Segundo o Holanda, “tem muita coisa de sobrenatural na mudança de entendimento dos juízes”. Também diz que o deputado sai “nos braços do povo e com a ficha limpa”. É uma constatação.

Sobre a expressão “forças ocultas”, pode ser um recurso de reforço ao argumento exposto. Mas, diante da histórica trajetória do parlamentar, no enfrentamento de várias denúncias que podiam custar seus mandatos, talvez até outra expressão possa ser usada.  Trata-se do conhecido dito popular castelhano “No creo en brujas, pero que las hay, las hay” (=eu não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem). À parte a brincadeira, o que se tem de concreto é um recurso da defesa do deputado, chamado de embargos de declaração, contestando a cassação, com o argumento de que o próprio TRE já havia aprovado a prestação de contas e as aeronaves fretadas estavam a serviço da coligação. Resta entender por que as denúncias do MPE não se sustentam diante do crivo dos julgadores, que também mudam de opinião no mesmo processo. Seja como for, pelo menos até aqui, advogados do deputado têm demonstrado maior poder de convencimento de suas teses junto ao poder eleitoral. 

Silas Câmara é pastor da Assembleia de Deus, formado em jornalismo mas, até agora, tem sido apenas personagem de matérias nos veículos de comunicação. E continua nas pautas de política. 

Como ou sem “forças ocultas”. Ou bruxas.

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Elizabeth Menezes, jornalista formada pela Ufam (Universidade Federal do Amazonas), repórter em jornais de Manaus, a exemplo de A Notícia, A Crítica e Amazonas em Tempo. Também trabalhou na assessoria de Comunicação da Assembleia Legislativa.

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