A temporada de queimadas chegou ao Amazonas com toda força mostrando que, mesmo que não seja igual, todo ano se repete e é justificada com inúmeros fatores. Este ano tem o El niño, o fenômeno do aquecimento das águas do Oceano Pacífico que vem com intensidade aumentada, mas também já se sabia disso e nem esse conhecimento serviu para conter alguns dos efeitos.
O ditado popular “água mole em pedra dura tanto bate, até que fura”, deve servir de mote para o Portal do Holanda continuar a divulgar não só a divulgar as notícias de queimadas, mas também a perguntar, insistentemente, em nome do amazonense que está sufocado com tanta fumaça, como e quando esse cenário vai diminuir. Por que todos os anos tem que ser assim?
De acordo com dados da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), o número de focos de incêndios já é maior que no mesmo período do ano passado: https://www.portaldoholanda.com.br/amazonas/com-57-mil-focos-de-calor-dpe-am-pede-nova-apuracao-sobre-queimadas-no-amazonas .
De janeiro a setembro de 2025, houve 2.643 focos de queimadas no Amazonas, enquanto este ano, foram 3.908 focos no mesmo período e o mês nem acabou. Só nos primeiros nove dias de setembro foram 1.377 focos, o que significa 46% a mais do volume do ano passado.
A reportagem do Portal do Holanda faz um serviço importante em divulgar, com o destaque e quantidade necessários: https://www.portaldoholanda.com.br/amazonas/incendio-devastador-consome-area-equivalente-a-50-campos-de-futebol-na-am-070 ;
Mas deve ir além e mostrar quem são os dirigentes dos órgãos governamentais em todas as esferas e ouvir as explicações sobre as medidas que foram tomadas, visando mitigar esse padrão, inclusive buscando explicação para o aumento e aparente descontrole dos focos de incêndios e queimadas.
O leitor merece uma resposta clara, porque o horizonte, especialmente em Manaus e em toda a Região Metropolitana, que ele olha está esfumaçado. O ar que respira está contaminado de tantas impurezas que é difícil saber os males que causarão a curto, médio e longo prazos.
Algumas consequências disso estão na rede estadual de saúde do Estado em Manaus, que registrou 132 atendimentos por queixas respiratórias relacionadas à inalação de fumaça entre 1º de julho e 22 de setembro. Os dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) não devem refletir o tamanho desse problema em todo o Estado, porque muitos sentem mal estar, mas não chegam a procurar atendimento médico.
O Portal do Holanda deve acompanhar as respostas das medidas anunciadas por órgãos de fiscalização ou de justiça, como no caso da Defensoria Pública do Estado (DPE-AM), que requereu, na última quinta-feira (24), ao Ministério Público Federal (MPF), novas providências diante do avanço das queimadas e da piora da qualidade do ar no Estado.
Falhas na continuidade das ações de combate aos crimes ambientais, especialmente nesse período eleitoral, foram algumas das causas apontadas pelo defensor público e titular da Defensoria Pública de Interesses Coletivos (DPEIC), Carlos Almeida, que chamou a atenção para a falta de respostas eficazes do Estado a uma situação que se repete todos os anos. Tanto que pede o reforço do Governo Federal nesse combate.
Os estudiosos da área apontam que a fumaça viaja centenas de quilômetros pela atmosfera, afetando cidades sem focos de incêndio, mas e o tempo em que fica na atmosfera e é respirada por nós, quem vai dizer?
O Portal do Holanda pode ser essa fonte. Informar o leitor até que ele passe a exigir providências executáveis dos dirigentes governamentais tanto do município, quanto do Estado ou do Governo Federal.
Hoje, vários dispositivos permitem acompanhar as ocorrências de fumaça e de queimadas como se fosse um ato natural e corriqueiro.
A tarefa do jornalismo nesse campo é informar, cada vez mais, a sociedade sobre a crise ecológica e as mudanças climáticas, cobrindo os temas com mais profundidade, dando ao leitor a possibilidade de discernir sobre a omissão ou não do poder público no combate a esse tipo de crime. E de saber porque os crimes se repetem a cada ano. Será que os acusados não serão punidos? Não pagam multas?
Uma boa pauta seria quem no Amazonas já pagou multa por crime ambiental. O leitor do Portal do Holanda merece conhecer essa lista.
O que não pode é olhar a fumaça embaçar a paisagem, as pessoas, as estrelas, o horizonte, achando normal enxergar assim. Não se pode respirar fuligem e achar que o sistema respiratório vai dar conta e que não vamos sufocar.
A realidade mostra que a não tomada de posição está sufocando, literalmente, os amazonenses. O que vamos fazer a partir disso depende de cada um.
Ombudsman
Ana Celia Ossame é amazonense de Manaus, Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Educação na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) (2015) e graduada em Comunicação Social - Jornalismo pela Ufam (1985). Tem Especialização em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em 1997 e experiência na área de Comunicação, com ênfase em Jornalismo e Editoração e Assessoria de Imprensa. Trabalhou nos jornais amazonenses A Notícia, Jornal do Comércio e A Crítica, onde elaborou matérias sobre Educação, Saúde, Meio Ambiente e do Cotidiano. Durante mais de uma década, foi responsável pela edição e produção de uma página dedicada à Educação no Jornal A Crítica. Foi Assessora de Imprensa do Conselho Regional de Medicina do Estado do Amazonas (CRM-AM), Câmara Municipal de Manaus, Agência de Comunicação do Governo do Estado, Secretaria Estadual de Assistência Social (SEAS), Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (SEMASDH), Secretaria Municipal de Juventude, Esporte e Lazer (Semjel) e da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM). É detentora de prêmios jornalísticos como 6º. Prêmio Embratel de Jornalismo (2004), Grande Prêmio Ayrton Senna (2000), Governo do Estado do Amazonas (1997) e Sociedade Brasileira de Cardiologia. Em 1997, foi premiada como Jornalista Amiga da Criança (JAC) pela Agência de Notícias pelos Direitos da Infância (ANDI), vinculada à Unesco. É autora do Livro de Poesia “Imaginei Assim”, publicado em 1986, dos livros Infantis “O Planeta Azul” (2014) e Os Sapatos da Formiga (2024), publicados pela Editora Valer, este último contemplado pelo Prêmio Frauta de Barro. E-mail: [email protected].
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