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ANÁLISE: Eleições 2012 - leva quem melhor seduzir

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A imagem agora é tão importante que há quem diga que hoje Abraham Lincoln dificilmente seria eleito nos Estados Unidos. Manaus tem algo parecido; em eleições recentes Amazonino apareceu sempre bem avaliado, mas durante a campanha televisiva sua imagem, falando com dificuldade,  terminou por produzir chute nas costas.


Edilson Martins

A indicação de Eduardo Braga para líder do Governo no Senado embaralhou as cartas não só na política nacional, como de resto assanhou as lideranças da política amazonense. Mudam as estratégias, ambições são ressuscitadas, candidaturas  dissimuladas, embolando praticamente o jogo da preliminar das eleições de 2014.


A permanecer no cargo, aspirando inclusive a voos mais altos, já que não lhe faltam méritos nessa guerra sem trégua que se chama política, nada mais será como antes; salvo venha chumbo grosso, conforme se desconfia, até porque ele ameaça a casa de cobras criadas que é o Senado Federal.

A perplexidade nacional provocada pelo campeão da ética e dos bons costumes, o cavaleiro sem mácula e sem reproche – o justiceiro implacável Demóstenes Torres - abatido em pleno voo; o tsunami que ameaça ser o julgamento dos mensaleiros; e as mudanças provocadas pela não candidatura de Braga, tudo isso, em verdade, são capítulos das próximas eleições municipais, preliminares, conforme foi dito acima, do jogo principal de 2014.

Revolução arretada

As próximas eleições são um mistério – elas sempre são - só que agora há um elemento novo; uma nova e exuberante classe média, egressa há pouco dos quase excluídos, dos quase sem-teto, dos quase sem emprego,  dos quase analfabetos, enfim, os até recentemente discriminados do andar debaixo, a chamada classe C e D.

Somam cerca de 40 milhões, nos últimos oito anos, mas se recuarmos um pouco, começando no início da década de 90, portanto nos últimos 20 anos, alcançam os 60 milhões de brasileiros. Proporcionalmente, nem a China fez revolução tão grandiosa. Até porque permanecem mais de 70% da população chinesa ainda no campo, o que não é mais o nosso caso.

Somadas, a de ontem e a de hoje, alcançam quase 56% da população brasileira, portanto, mais de 100 milhões de brasileiros. O censo do IBGE mostra que essa gente ganha entre R$l.200 e até R$5.200,00.

Poderosos, e ainda não sabem...

Do ponto de vista econômico exibe força, excelente musculatura, com 46% do poder de compra dos brasileiros. E já superou, isto é quase inacreditável, as classe A e B em poder de compra, que não ultrapassam hoje 42%. Essa nova classe está podendo muito, podendo quase tudo, e à mercê de quem melhor possa seduzi-la. Milhões de votos, ainda sem donos claros. A partir disso o bicho começa a pegar...


Bom, estamos produzindo um novo paradigma; a perseguida da vez não é mais a mulher, e seu perseguido segredo, para os políticos, senão a nova classe.

Estão viajando para o exterior, mandando os filhos para intercâmbio em países europeus, Estados Unidos, exigem mais segurança, já têm acesso às novas tecnologias, às redes sociais, a roupas de griffe, às academias de ginástica, às cirurgias estéticas, ao mercado de trabalho qualificado, lotam os navios em viagem de cruzeiro, indo às delícias assistindo a Roberto Carlos ao vivo, os pagodes de fim de semana já não os encantam tanto, e já dividem, cara a cara, espaços antes reservados às classes A e B. Para constrangimento, quase repulsa, destas duas.

As delícias da burocracia...

Na formação educacional de seus filhos querem cursos profissionalizantes, os antigos cursos técnicos, buscam os concursos, as delícias e os bons salários burocráticos da rede pública, e não estão embarcando de cara na história dos bacharéis, dos anéis acadêmicos. Quem está revelando tudo isso são as pesquisas do IBGE.

São conservadores - o povo brasileiro sempre foi - mas ela  emerge com mais força nesse quesito. Agora - antes não era assim - têm muito o que perder. E quando se tem o que perder, o buraco é mais embaixo, e pensamos algumas vezes diante de qualquer mudança.

Estão desorganizados, exceto os segmentos evangélicos. O Ministro Gilberto de Carvalho, recentemente, a propósito da conquista dessa nova classe média, falou demais, ou melhor, disse o que não deveria ser dito. Teve que se retratar, pedir desculpas, negando o que disse. Não que tenha dito bobagem, longe disso, de forma alguma.

Careta, e daí?

As próximas eleições serão dela, e, para ela. E como seduzi-la? Bom, aí entram a percepção, a cautela, a inteligência e o profissionalismo. Essa nova classe, difusa, complexa, diferenciada, conservadora, ansiosa por consumir, desorganizada em muitos arcos, vai mais do que nunca decidir as próximas eleições.  Ela é, sempre foi, majoritariamente careta; nada de novas pirotecnias no que toca aos costumes, à tradição, aos valores familiares.

No segundo turno de eleições majoritárias ela sempre decidiu quem ganha. Até porque, dizem os americanos, ganha eleição quem tem os três M; Media, Momentum, e Money. Num segundo turno o eleitorado se move, com todo o respeito, polarizado, feito um rebanho, vamos imaginar, de ovelhas. É cara ou coroa. E aí os três emes(m) são decisivos.

Emoção ganha da razão!

Eleição, com a presença da TV, não se ganha mais com propostas partidárias mobilizantes, discursos robustos e plenos de conteúdo, senão com a emoção. O impacto da TV na sociedade brasileira é tão grande que se torna impossível avaliá-lo com precisão. E não é de agora.  Se um candidato concorrer sem a ajuda de um consultor de imagem, - melhor que o palavrão marqueteiro -, com um adversário com esse tipo de ajuda, não tem virtualmente qualquer chance de se eleger. A TV tem alterado posturas, modificado tendências, decidido eleições, inclusive na reta final, até mesmo já na prorrogação.

E a TV não é para amador, para os achismos dos amigos, puxa-sacos e a opinião apedeuta dos familiares.

A imagem agora é tão importante que há quem diga que hoje Abraham Lincoln dificilmente seria eleito nos Estados Unidos. Manaus tem algo parecido; em eleições recentes Amazonino aparece sempre bem avaliado, mas durante a campanha televisiva sua imagem, falando com dificuldade, sem o time que o veículo exige, excesso de peso, termina por produzir chute nas costas. A deputada federal Rebecca Garcia exibe exemplo contrário, embora não seja só isso.

A vitória dos olhos sobre os ouvidos

 A TV hoje forma a opinião, e não tem papo, não adianta tropeçar em evidências. Nela o conteúdo é a imagem. Mas que imagem é essa? Perguntemos ao consultor de imagem, competente, e com boas pesquisas qualitativas nas mãos. Na TV a briga é entre os olhos e os ouvidos, vencendo sempre estes últimos.  Ela é, numa campanha, a diferença entre o sucesso e o fracasso. Aqui no Amazonas, como de resto no país todo, 80, 90% das peças publicitárias de natureza política, chovem no molhado.  É rolando-lero redundante e cansativo. Puro tiro no chão.

 

Edilson Martins – jornalista, escritor e consultor de imagem

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