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ELEIÇÕES 2012: Hissa propõe trocar a máquina e o sistema

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Ao visitar na sexta-feira o Portal do Holanda, o pré-candidato pelo PPS à Prefeitura de Manaus, Hissa Abrahão, defendeu trocar  a  máquina e o sistema que comandam Manaus há décadas por uma engrenagem  nova e sem vícios. "Essa engrenagem precisa ser substituída, tem que trocar o óleo por um novo combustível, por uma nova forma de fazer política" , diz o vereador, que também afirma que  o prefeito  Amazonino Mendes e o senador Eduardo Braga são pessoas que já fizeram o melhor pela cidade. "E  devem ter consciência que estão  num nível em que não seria adequado continuarem trabalhando a questão municipal." 

 

Escolhido pré-candidato à prefeitura de Manaus pelo PPS, o vereador Hissa Abrahão pode vir a ser o candidato mais jovem na disputa pelo Paço Municipal nas eleições deste ano. Mesmo num partido pequeno, com pouco tempo no horário eleitoral, quase sem financiadores de campanha, ele não se intimida. Diz que a engrenagem que comanda a máquina pública hoje é uma engrenagem que precisa ser substituída, “tem que trocar esse óleo que está há muitos anos alimentando essa máquina, por um novo combustível”.

Hissa defende uma gestão municipal empreendedora e firme, atuando no coletivo sem se preocupar em agradar “grupos ou indivíduos”. Se for confirmado candidato pelo PPS nas convenções de junho, disse que vai lutar pelo apoio do senador Arthur Virgílio e do PSDB até o fim, para manter a dobradinha que vem dando certo há três eleições. Mas se não der certo, vai ser “cada um por si e Deus por todos”. Ele confia na juventude para compreender e aceitar as mudanças políticas que o seu partido vai propor.

Nesta entrevista ao Portal do Holanda ele reconhece que máquina e sistema governamentais são sempre muito fortes numa eleição, mas garante que está preparado para uma disputa mesmo não sendo “homem de máquina e nem de sistema”. O vereador critica a  descontinuidade dos projetos sociais na administração municipal e garante: “Eu não dependo e nem dependi de cacique algum pra ser pré-candidato a prefeito”.


Portal do Holanda - O sr. já foi escolhido pelo seu partido como pré-candidato as eleições para prefeito de Manaus. Como o sr. está trabalhando isso?



Hissa Abrahão - Eu costumo dizer o seguinte: o PPS é um partido que dá oportunidade para novos políticos e novas idéias. É um partido que seguiu a tradição PCB e que apesar de ter 90 anos é um partido que está em constante renovação. Renovação das idéias, da forma de fazer política, renovação de seus atos. E eu sou muito grato ao PPS por ter acreditado em mim numa eleição para governador em 2010. Porque é difícil você encontrar partido que te dê a chance de ser candidato a governador com 0,2% nas pesquisas.

Agora para a eleição de 2012, eu entendo e estou convicto até hoje, que eu não devo mais ser candidato a vereador, e sim candidato a prefeito. Alguns dizem até que isso é loucura, mas eu confio na minha capacidade, na capacidade do meu partido, e na capacidade desse povo de renovar o processo político.

Outras pessoas também dentro do partido gostariam e se lançaram como pré-candidatos a prefeito e eu acabei tendo a felicidade de ter o meu nome aprovado de maneira consensual.
 

Portal - O que o sr. elegeria hoje como prioridades numa cidade como Manaus, que é cheia de problemas?

 
Hissa - Eu vou tomar o cuidado aqui de não antecipar as questões eleitorais nessa entrevista, mas ao mesmo tempo dizer que um prefeito da cidade hoje ele tem que agir no específico e no geral. O específico são as questões que atrapalham a vida das famílias que moram em Manaus. Até porque a população hoje ela quer uma gestão diferente, ela precisa de uma gestão empreendedora. E para se implementar uma gestão empreendedora há uma necessidade do prefeito fazer uma gestão colaborativa, participativa, para que o povo ajude na implementação das políticas públicas.

Se não for assim, até as ideias boas serão dificultadas no ato da sua execução. E além da questão da forma de gerir, o gestor tem que cumprir o que é possível fazer, dentro da sua gestão orçamentária. A questão orçamentária de Manaus, hoje, não é suficiente para resolver todos os problemas, mas ela é suficiente para aliviar e melhorar os problemas. Dentro dessas questões mais básicas de proporcionar mais qualidade de vida, a reforma urbana tem de ser uma reforma que possa fazer as pessoas se sentirem mais felizes. A idéia é essa, fazer as pessoas se sentirem mais felizes.


Portal
- E como seria essa reforma da felicidade?


Hissa
- O que eu entendo que falta é que as políticas públicas, se não puderem resolver cem por cento dos problemas, que pelo menos se crie políticas públicas para não atrapalhar a vida das pessoas. Que o cidadão possa sair de casa e ir para o trabalho e voltar sem estresse. Às vezes o cidadão passa mais estresse e mais aborrecimento no trajeto do seu trabalho, da sua faculdade, da sua ida ao médico, do que propriamente no seu trabalho. Então, a ideia é criar uma cidade que não atrapalhe a vida das pessoas, aliás, é reconstruir, reformar essa cidade pra não atrapalhar a vida das pessoas.
 

Portal
- O sr. está falando de mobilidade urbana?


Hissa - Eu estou falando de mobilidade urbana.


Portal - O sr. acha que Manaus hoje não tem mobilidade urbana?


Hissa - Eu acredito que nós estamos muito longe do que eu acredito que nós precisaríamos ter em relação a mobilidade urbana. Isso por culpa de modelos de gestão gastos e ultrapassados, que não tiveram a habilidade para resolver esse problema em conjunto com a sociedade. E nisso vale destacar a gestão empreendedora.

Gestão empreendedora é aquela que tem a ideia e implementa a sua ideia até o fim contando com o apoio do cidadão. Isso dando opções aqueles que não concordaram com a ideia. E num terceiro momento, aqueles que não concordaram nem com a ideia nem com as opções, tem que usar a força de comando e controle do município na medida correta.

Tem que parar de pensar em grupos ou somente em indivíduos que muitas vezes torcem pelo pior e pensar no todo, pensar na cidade.

 
Portal - Como enfrentar essa questão de modernizar a cidade com uma máquina administrativa que vem desse sistema ultrapassado que o sr. falou?


Hissa - Vontade política. Capacidade empreendedora. Agilidade na administração dizendo pra sociedade o que é possível ser feito, sem enganar as pessoas. Sem dizer que vai resolver o problema por completo, que isso é uma grande mentira, nenhum prefeito conseguiu resolver e aqueles que ficaram com receio de colocar o dedo na ferida só pioraram os problemas que Manaus possui hoje.

E um prefeito hoje precisa administrar a cidade com planejamento. Esse planejamento ele inclui um planejamento para cinco, para dez, para quinze e para vinte anos. E dizer para sociedade que em quatro anos só dá para fazer isso. Agora, dizer que só pra fazer isso e fazer isso. Mas ao final de uma gestão, esse problema que diz “eu vou resolver”, tem de resolver.  Não pode é dizer que vai resolver o problema do Centro inteiro, por exemplo, e nunca o problema do Centro ser resolvido.


Portal - Como o sr. analisa hoje a gestão atual na prefeitura de Manaus?


Hissa - A gestão atual, em muitos momentos acertou em algumas ideias e errou na forma de implementá-las. Ou seja, acertou em muitos pontos no conteúdo, mas aquele conteúdo foi aplicado de forma equivocada, de uma maneira equivocada, e acabou estragando, acabou complicando toda a ideia.
 

Portal - Isso genericamente, ou tem alguns pontos onde poder ser percebido com mais clareza?
 

Hissa - Isso, por exemplo, pode ser percebido no Zona Azul, que era uma ideia boa, mas que hoje ela precisa ser implementada e estão demorando demais a implementar. A questão do lixo, que é uma ideia boa e precisa ser implementada, mas que estão também demorando a implementar. Agora a forma de se implementar essas ideias tem de ser correta. Não adianta uma ideia ser boa, se no decorrer de sua implementação está um sistema viciado, está com problema.

Aí, pra concluir essa questão, em relação a alguns pontos importantes, eu vejo como positivo a Cidade da Criança, a reforma da Ponta Negra. A administração teve alguns acertos, mas nos gargalos que a cidade possui, nos gaps que a cidade possui, a administração atual não conseguiu ou não teve fôlego para enfrentar até o fim os problemas e implementar as suas ideias.

 
Portal - Como sr. sente hoje a musculatura do seu partido, a capacidade de articulações, como está ocorrendo isso hoje?
 

Hissa – O PPS tem hoje um projeto no curto, médio e longo prazos para aliviar e melhorar a vida das pessoas de Manaus. Isso é o principal. Além disso, temos hoje um partido unido em prol de uma pré-candidatura, que tem uma boa densidade eleitoral e uma rejeição em praticamente zero. Talvez a menor rejeição de todos os nomes que estão por ai. Com todos esses fatores positivos ao nosso redor, nos sentimos muito à vontade para conversar com os vários partidos que se identificam conosco. Entre eles o PV e PSDB.

E tenho também sido procurado por outros partidos para tratar de política, mas em conversas nada formais, apenas em nível de informação e de especulação. Eu até agora, não recebi nenhum argumento que me convença e não ser candidato e apoiar outro. Porque se eu receber algum argumento que me convença e não ser candidato e apoiar outro, eu vou ter que levar esse argumento para o PPS. E o coletivo é que vai decidir.


Portal - O sr. acha que o governo e a prefeitura têm feito um trabalho que possa convencer a população de Manaus de que deve manter esse sistema, esse jeito de governar?


Hissa - Máquina e sistema são sempre muito fortes numa eleição. Mas eu não sou homem de máquina e nem de sistema. Eu não sou dono do meu partido, quem me escolheu pré-candidato foi o conjunto do meu partido e estou muito feliz por isso. Eu sou uma pessoa simples, uma pessoa da cidade, e como a maioria das pessoas eu, e meu partido, queremos construir uma política diferente.

Portanto, se queremos construir uma política diferente não é adequado da minha parte que eu me associe a máquinas e sistemas. Muito pelo contrário, nós queremos é mudar toda a engrenagem dessa máquina, porque percebemos que há muitos anos essa máquina não vem resolvendo os problemas da cidade.

Então, essa engrenagem de hoje que comanda a máquina é uma engrenagem que precisa ser substituída, tem que trocar esse óleo podre que está a muitos anos alimentando essa máquina, por um novo combustível, por uma nova forma de fazer política.
 

Portal - O sr. não tem tido nenhuma conversa com partidos da base do governo?


Hissa - Da base do prefeito?

 
Portal - Da base do prefeito...

 
Da base do prefeito e da base do Omar, que estão lá na Câmara, eu converso com a maioria dos vereadores e alguns vereadores até têm vontade de me apoiar e me ajudar. Mas eles não têm certeza se vão poder. Eu não posso revelar nomes senão eu estaria aqui prejudicando alguns. Mas eles revelam boa vontade de me ajudar, de me apoiar. Porém eles dependem das decisões das máquinas.


Portal - O sr. acredita que o prefeito Amazonino e o senador Eduardo Braga não vão sair candidatos ou que estão fazendo só um jogo de cena?

 
Hissa - Olha, eu acredito que tanto o prefeito Amazonino quanto o senador Eduardo Braga são pessoas que já fizeram o seu melhor pela cidade. E que se já fizeram o seu melhor pela cidade, eles devem ter consciência que estão já num nível em que não seria adequado continuarem trabalhando a questão municipal.

Por outro lado, eu tenho ouvido elogios por parte do senador, por parte do prefeito ao nosso trabalho, à nossa iniciativa, e eu só tenho a agradecer todos os elogios de ambos. Mas nós temos um projeto diferente, um projeto independente do que eles fizeram na cidade. Quanto a eles eu só desejo sorte e saúde para que eles possam fazer muito mais pelo Amazonas, tanto no Senado da República, quanto quem for governador em 2014.

 
Portal – E a sua relação com o senador Arthur tem sido boa, há possibilidade de que haja uma união?


Hissa - Há.


Portal - Já houve conversas a respeito disso?

 
Hissa - As conversas estão acontecendo, e há possibilidade sim, não estou dizendo que vá acontecer, mas há possibilidade e essa questão está sendo tratada com muita maturidade. Eu gostaria muito de ter o apoio do senador Arthur Neto, que é uma pessoa que tem o meu carinho, o meu respeito. Ele referendou a nossa candidatura a governador e eu gostaria que ele pudesse referendar novamente essa candidatura para prefeito.

Até porque o espírito não é só apresentar propostas e uma nova forma de fazer política. É, além disso, vencer as eleições. E eu acredito muito que nós teremos o apoio do PSDB.


Portal
- No caso de uma composição, poderia ser, por exemplo, o senador na cabeça e o sr. na vice, ou haveria alguma objeção a isso?

 
Hissa - Não, não. O senador está num outro patamar. O senador ele deve ser candidato, a meu ver, em 2014. É um direito dele ser candidato a prefeito. Se ele quiser, cada um por si e Deus por todos. Não tem problema. Mas há conversas de que pode haver unidade. Agora eu entendo que seria muito melhor nós fazermos uma aliança com chances reais de vitória, do que a gente se dividir e não ganhar a eleição. Então eu vou buscar, até o último dia da convenção, o apoio do senador Arthur Neto.
 

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