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Amazonas

As cabeças vão Rolar

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 As pesquisas, há quem diga, não mentem. O que não é verdade. Mentem pela má fé dos que a contratam, mentem pela volatilidade da alma humana. O ser humano é um primor de volatilidade, ainda mais nos tempos atuais, onde as mídias fazem a cabeça dos imensos rebanhos eleitorais.

Por Edilson Martins

As próximas eleições municipais, parece, já não serão tanto um indecifrável mistério. Pesquisas disponíveis sinalizam a opção do eleitorado mais por mudanças do que pela continuidade nas capitais brasileiras, em sua grande maioria.

Trata-se de novidade, um fato absolutamente novo na paisagem eleitoral brasileira, onde os prefeitos das capitais, ao tentarem a reeleição sempre saiam vitoriosos. Houve uma única exceção histórica no país, por sinal no Amazonas; a não reeleição de Serafim Correa, nas eleições municipais de 2008.

Olha as tendências, pessoal!

As pesquisas atuais podem não valer nada, até às eleições, mas podem, quem sabe, indicar tendências. E é aí que o bicho pega.

Na véspera, só peru!

Ao contrário das presidenciais, onde o eleitor, em sua grande maioria, informa-se e decide com certa antecedência, a escolha do Prefeito persegue caminhos mais indecifráveis, e quase sempre acontece tardiamente, no calor das mídias, principalmente a eletrônica, das ondas humanas.


É uma escolha demorada, tortuosa e mais lenta. Eleição que menos se ganha na véspera, ainda é a de Prefeito. Hoje, em 24 capitais, são poucos os prefeitos que disputam a reeleição com favoritismo. Tampouco seus sucessores – aos que não podem mais ser reeleitos - contam com céu de brigadeiro para entrar na disputa.

Nadando de braçadas

Dois nadam de braçadas; Marcio Lacerda(PSB),em Belo Horizonte, e Eduardo Paes(PMDB) no Rio de Janeiro. O primeiro tem 50% de aprovação, já o segundo caminha com 40%. Em outras três capitais – Goiânia, João Pessoa, e Porto Alegre – os atuais Prefeitos não vivem uma paisagem cinzenta, embora com índices bem menores. Paulo Garcia(PT), Luciano Agra(PSB), e José Fortunati(PDT), respectivamente, vão bem, obrigado.

Se as eleições fossem agora, os prefeitos de seis outras capitais teriam dificuldade de renovar seus mandatos. Alguns estão muito mal. Três se elegeram em 2008 e chegam a este ponto de suas administrações com avaliação insatisfatória: Micarla de Souza (PV), em Natal, Amazonino Mendes (PDT), em Manaus, e João Castelo (PSDB), em São Luís.

O que está havendo, gente!

No total, 11 prefeitos de capital devem buscar a reeleição, mas poucos parecem ter chance elevada de obtê-la. E as perspectivas para seis não são boas - sendo péssimas para alguns. O que está acontecendo com o eleitorado brasileiro? Se alguém souber, que se habilite em responder.

Só que agora há um elemento novo; uma nova e exuberante classe média, egressa há pouco dos quase excluídos, dos quase sem-teto, dos quase sem emprego,  dos quase analfabetos, enfim, os discriminados, até então, do andar debaixo.

Somam cerca de 40 milhões, nos últimos oito anos, mas se recuarmos um pouco, começando no início da década de 90, portanto nos últimos 20 anos, alcançam os 60 milhões de brasileiros. Proporcionalmente, nem a China fez revolução tão grandiosa. A cabeça dessa gente está na contramão do pensamento até então dominante.

É a hora da virada!...


Em 13 outras capitais, o cenário é de mudança e não de continuidade. As pesquisas, há quem diga, não mentem. O que não é verdade. Mentem pela má fé dos que a contratam, mentem pela volatilidade da alma humana. O ser humano é um primor de volatilidade, ainda mais nos tempos atuais, onde as mídias fazem a cabeça dos imensos rebanhos eleitorais.

Por exemplo, o Data-Folha, o mais, senão o único instituto de opinião confiável, até porque não pesquisa para nenhum Partido, revela que o ex-Presidente Lula, em curto tempo, antes mesmo da foto com o Maluf, há havia perdido 10% de sua capacidade de induzir, sugerir candidatos em São Paulo. Há alguns meses atrás o PT entrou em rota de colisão com a bancada evangélica. Motivo; disputa dessa massa de eleitores que é o objeto de desejo dos que disputam o poder.

O homem do teflon!

E olha que Lula era até então o homem do teflon, nada pegava negativamente, nada maculava sua imagem. Dez por cento é de bom tamanho como perda da capacidade de influenciar.

Portanto, é alta a possibilidade que tenhamos um balaio de novos prefeitos com perfil diferente, e põe diferente nisso, dos atuais. Salvo erro das pesquisas, e elas são feitas pelos partidos para enganar, tripudiar, a alternância, tudo indica, vai prevalecer. Fato absolutamente novo na paisagem política do país.

Até porque, repetem os americanos, os grandes mestres do marketing político, ganha eleição quem tem os três M; Media, Momentum, e Money. E por enquanto, essas três alavancas, ainda não foram acionadas, elas que são decisivas não só na política, como de resto na vida.

Bye,bye, plano de Governo!

Eleição, com a presença da TV, não se ganha mais com propostas partidárias revolucionárias, discursos robustos e planos de Governo, senão com a emoção. O impacto da TV na sociedade brasileira é tão grande que se torna impossível avaliá-lo com precisão.

Se um candidato concorrer sem a ajuda de um consultor de imagem e conteúdo, - melhor que o palavrão marqueteiro -, com um adversário com esse tipo de ajuda, não tem virtualmente qualquer chance de se eleger.

Que se danem os princípios!


A TV tem alterado posturas, modificado tendências, decidido eleições, inclusive na reta final, até mesmo já na prorrogação. E a TV não é para amador, para os achismos dos amigos, a sacação do candidato, sua experiência em ganhar eleições, e a opinião apedeuta dos amigos e familiares.


O palanque eletrônico tem tanto peso, que jogou a ideologia, os princípios, a ética para o fundo do ralo. Trinta, 60 segundos na TV valem, com sobra, que sepultemos escrúpulos, que mandemos os princípios lamber sabão. Quaisquer alianças valem a pena, sejam quais forem os aliados, desde que isso se traduza em segundos na TV. E ainda há, os pobres de espírito, que subestimam a importância da televisão, na conquista dos corações e mentes na hora de votar.

 

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