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Xi Jinping começa era própria ao ganhar influência igual à de Mao

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PEQUIM — Caminhando a passos largos para ser o mais poderoso chefe de Estado da China desde Mao Tsé-tung, morto em 1976, o presidente Xi Jinping inaugurou sua própria era na terça-feira, segundo especialistas, ao ter seu nome incluído nos estatutos do Partido Comunista Chinês (PCC). A decisão unânime do 9º Congresso Nacional da sigla única faz com que a ideologia e o pensamento de Xi sejam ensinados compulsoriamente nas escolas, e sua legitimidade para influenciar todos os setores da liderança política chinesa se torne inquestionável. Para analistas, a elevação de seu status — Xi é o único a receber a honraria em vida desde o líder revolucionário — dá a ele autoridade para ditar os rumos do país sem oposição interna. E, aos 64 anos, tem o caminho ainda mais aberto para se perpetuar no poder.

A elevação do status de Xi foi confirmada por todos os 2.300 delegados do congresso, em sessão desde a semana passada. Foi oficializado a ele ainda o segundo mandato de cinco anos como secretário-geral do partido — e, consequentemente, presidente. Xi é o terceiro líder incluído no estatuto do PCC, após Mao e Deng Xiaoping. Com a elevação de seu status, a difusão de sua doutrina se torna obrigatória nas escolas, assim como o marxismo-leninismo e o pensamento dos outros dois líderes.

— Foi anunciado o início da era Xi — sentenciou ao jornal espanhol “El País” o historiador Zhang Lifan. — É a única pessoa, além de Mao, que conseguiu introduzir em vida sua filosofia nos estatutos do partido.

O projeto de poder de Xi é marcado por uma guinada de volta ao personalismo da era Mao. O regime de Xi expandiu a influência do PCC na sociedade civil e o culto à personalidade; expurgou mais de um milhão de funcionários públicos acusados de corrupção; liderou perseguições políticas; endureceu o controle na internet e das liberdades individuais; e deu fim à política do filho único.

— A emenda à Constituição do partido efetivamente confirma a aspiração de Xi de ser o Mao do século XXI: um líder sem restrições de mandato ou idade de aposentadoria — afirmou Willy Wo-Lap Lam, analista político da Universidade Chinesa de Hong Kong. — Ele terá um status similar ao de Grande Timoneiro, que era o de Mao.

Além de seu próprio nome, Xi conseguiu incluir no documento-base do partido sua campanha anticorrupção e a sua Nova Rota da Seda — um ambicioso plano de conexão da China com a Europa e a África através de redes de infraestrutura.

E se os antecessores diretos de Xi (Jiang Zemin e Hu Jintao) lideraram o PCC e o país por consenso entre as facções após a morte de Mao, o atual secretário-geral tem ainda menos dissensão à frente: ele apresenta hoje os demais membros do novo Politburo (comitê central) comunista. Para analistas, é improvável que haja dentre os 25 membros uma figura que lhe sucederia, e o Comitê Permanente (com sete integrantes) deve ser todo preenchido com seus aliados mais próximos. Potencial sucessor, o líder de sua campanha anticorrupção, Wang Qishan, ficou de fora.

— Com o nome de Xi nos estatutos do Partido, o tema da sucessão já quase não se projeta — avaliou Bill Bishop, autor do relatório político Sinocism China. — Enquanto viver, ele tomará as decisões.

E, ao mesmo tempo em que Xi é consagrado, desapareceu novamente um célebre preso político do regime — o livreiro sueco de origem chinesa Gui Minhai, editor e autor especializado na história da vida privada dos dirigentes de Pequim. Ele foi libertado após dois anos na prisão, informou a Suécia. Sua filha, porém, teme que tenha desaparecido pela segunda vez. A primeira prisão foi cercada de mistério: Minhai desapareceu de casa na Tailândia em 2015 e só reapareceu meses depois, já na China.

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