A comunidade judaica de São Paulo realizou nesta quarta-feira, 7, um ato solene em memória das vítimas dos ataques contra comunidades do sul de Israel e participantes do Festival Nova, que ocorreu em 7 de outubro de 2023.
O atentado, que completou três anos, deixou cerca de 1.2 mil pessoas mortas, enquanto 251 foram sequestradas e levadas para a Faixa de Gaza. A data ficou marcada como o dia mais mortal para judeus desde o Holocausto.
A cerimônia, realizada no Memorial às Vítimas do Terrorismo, no Cemitério Israelita do Embu, em Embu das Artes, na Grande São Paulo, reuniu lideranças comunitárias, alunos de quatro escolas judaicas, jovens assistidos pela União Brasileiro-Israelita do Bem-Estar Social (Unibes), educadores e sobreviventes dos ataques.
O ato foi promovido pela Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) e pelo Chevra Kadisha (Associação Cemitério Israelita de São Paulo).
Sobreviventes brasileiros
Rafael Zimerman, sobrevivente do ataque ao Festival Nova, relembrou os momentos vividos dentro de um abrigo onde cerca de 40 jovens tentavam se proteger dos terroristas. Apenas nove sobreviveram.
Rafael contou como a experiência transformou sua maneira de enxergar a vida e pediu aos jovens que valorizem as pessoas que amam, perdoem mais e não desperdicem tempo com conflitos sem importância.
Também deixou uma reflexão sobre a necessidade de manter viva a memória para além das cerimônias: "lembrar o 7 de Outubro apenas uma vez por ano não é suficiente."
Maurício Wenick tinha 20 anos quando, como soldado, entrou no Kibutz Kfar Aza (comunidade coletiva e autossuficiente em Israel, baseada na agricultura) durante os ataques.
Ele contou que fazia parte de um grupo de 12 soldados que enfrentaram cerca de 140 terroristas.
Memória transmitida às novas gerações
Alunos das escolas judaicas participaram do ato com homenagens às vítimas e reflexões sobre o significado de ser jovem e judeu depois do 7 de Outubro.
"Nossa identidade não desaparece quando sentimos medo. Ao contrário, ela se fortalece", afirmaram os estudantes durante uma das homenagens. Uma cadeira vazia simbolizou as ausências deixadas pelos ataques. Representantes das quatro escolas participaram ainda do acendimento de velas ao lado de lideranças comunitárias.
As rezas El Malei Rachamim (Deus Cheio de Misericórdia) e Kadish foram entoadas em memória das vítimas, e apresentações dos estudantes reforçaram o caráter de homenagem, reflexão e preservação da memória.
O coral da Unibes encerrou a cerimônia com as canções Erev Shel Shoshanim (Noite de Rosas) e Am Israel Chai (O povo de Israel vive), tradicionais na comunidade judaica.
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