BARCELONA — O vice-presidente do governo catalão, Oriol Junqueras, advertiu neste sábado que a independência deve ser “a referência” de qualquer diálogo com o governo espanhol ou uma eventual mediação internacional.
Os separatistas catalães insistem na mediação, após o presidente regional, Carles Puigdemont, declarar na terça-feira a independência unilateral da região, suspensa imediatamente como um “gesto de boa vontade” para abrir um canal de diálogo com Madri.
Do outro lado, porém, o presidente espanhol, Mariano Rajoy, nega qualquer tipo de mediação e deu prazo até segunda-feira para que Puigdemont esclareça se declarou ou não a independência. Se a resposta for sim, terá até quinta-feira para retificar, sob ameaça de intervenção na autonomia da Catalunha, uma região com 7,5 milhões de habitantes.
— A melhor maneira de fazer a independência é pelo diálogo — disse Junqueras, ressaltando, no entanto, que “para que o diálogo tenha alguma expectativa de frutificar (...) precisa ter como referência a construção da República e o nosso compromisso com a independência”.
Nesse sentido, Junqueras manifestou apoio de seu partido, a Esquerda Republicana da Catalunha, ao presidente, Puigdemont, para cumprimento do “mandato de 1º de outubro, que é o mandato de construir a República Catalã”.
Nos últimos dias, vários setores pediram que Puigdemont mantenha seu compromisso com a independência, apesar de pressões recebidas pelo judiciário espanhol, que investiga o governo autônomo por suposto crime de “desobediência”, e pelo setor econômico, que ameaça retirar da Catalunha as sedes de importantes empresas.
Na sexta-feira, o partido Candidatura de Unidade Popular (CUP) pressionou Puigdemont a apresentar uma declaração de independência inequívoca, desafiando as ameaças feitas por Madri:
“Se o governo central de Madri quer continuar nos ameaçando, eles devem fazê-lo à República que já foi proclamada”, disse o partido, em comunicado.
Entretanto, o líder do partido de Puigdemont, Arthur Mas, que foi presidente da região até 2016, afirmou que a declaração de independência não é a única saída.
— Se um Estado proclama sua própria independência e não pode agir como um, a independência é meramente estética — disse Mas, à emissora catalã TV3. — Os fatores externos devem ser considerados nas decisões que serão tomadas daqui para frente.
A União Europeia, os EUA e outras potências mundiais já declararam que desejam que a Catalunha continue com a Espanha.

