Às vésperas de cúpula de Biden, China cobra EUA e busca ampliar cooperação com Europa

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

16/04/2021 12h05 — em Mundo

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A China deu dois passos nesta sexta (16) para marcar sua posição no combate às mudanças climáticas. O dirigente Xi Jinping se reuniu com os líderes de França e Alemanha, e o Ministério das Relações Exteriores chinês cobrou os EUA a tomarem medidas mais amplas para compensar a falta de ações nos últimos anos.

Os movimentos ocorrem poucos dias antes da reunião de cúpula sobre ambiente convocada pelo presidente americano Joe Biden, marcada para os dias 22 e 23 de abril.

Xi conversou, por vídeo, com o presidente da França, Emmanuel Macron, e como a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel. O dirigente disse que a China está pronta para ampliar sua cooperação com os paises europeus nas questões ambientais, e defendeu que o tema não seja politizado.

"Responder às mudanças climáticas é uma causa comum para toda a humanidade e não deve se tornar uma moeda de troca geopolítica, um alvo de ataques de outros países ou uma desculpa para barreiras comerciais", disse Xi, segundo a agência estatal Xinhua.

O dirigente também falou em manter o engajamento na cooperação ambiental Sul-Sul, que busca a aproximação com países da África e da América Latina. E que seu governo está disposto a ajudar a acelerar a vacinação contra a Covid-19 no mundo.

Em nota após o encontro, Macron e Merkel disseram apoiar os planos de Pequim para reduzir as emissões de poluentes.

Também nesta sexta, Lijian Zhao, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, disse a repórteres que os americanos têm culpa no atraso do cumprimento das metas ambientais globais, pactuadas no Acordo Climático de Paris, em 2015.

"As autoridades dos EUA não devem esquecer da saída do Acordo de Paris em 2017. Seu retorno não é, de forma alguma, uma volta gloriosa, mas sim como a volta de um estudante que faltava nas aulas. Ele ainda tem que mostrar como irá compensar [o que não fez n]os últimos quatro anos", disse Lijian.

"Na governança ambiental global, há quem está contribuindo com ações concretas e quem busca interesses egoístas. O mundo tem tirado suas conclusões. Esperamos que os EUA encontrarão seu lugar e voltarão a cumprir com a lei internacional e o multilateralismo", acrescentou o porta-voz.

Lijian deu as declarações em uma entrevista coletiva, após um repórter pedir que ele comentasse uma crítica, atribuída a um funcionário americano anônimo, de que a China não estaria fazendo o suficiente para reduzir suas emissões.

A saída do Acordo de Paris foi feita pelo presidente Donald Trump. Ele defendia que a redução das emissões prejudicaria a economia americana. Os EUA voltaram ao Acordo de Paris em janeiro deste ano, no primeiro dia do governo de Joe Biden, que colocou o combate às mudanças climáticas como uma de suas prioridades.

Biden convocou uma reunião de cúpula sobre o clima para os dias 22 e 23 de abril, com líderes de 40 países. O encontro virtual propõe aos participantes que anunciem novas metas na área ambiental que sejam mais ambiciosas.

A expectativa é que os EUA se comprometam com uma nova meta de redução de emissões de carbono para 2030, que poderá ser o dobro da anterior. O Brasil deve falar na sessão de abertura, assim como a China. Cada representante terá três minutos para se pronunciar.

O presidente americano considera a reunião de abril um caminho preparatório para a Conferência do Clima das Nações Unidas (ONU), a COP26, marcada para novembro em Glasgow, na Escócia.

O esforço das cúpulas é catalisar o trabalho conjunto dos países para conter o aquecimento global a um limite de 1,5 °C. Biden quer mobilizar financiamento público e privado para impulsionar a transição energética internacional e ajudar nações vulneráveis a lidar com impactos climáticos.

A China é atualmente o maior gerador de gases do efeito estufa. Em 2020, Xi anunciou que o país planeja atingir o pico de suas emissões antes de 2030 e, depois, atingir a neutralidade nas emissões de carbono até 2060. Os EUA são a segunda nação mais poluente do planeta.

A conversa com os líderes europeus e as declarações do porta-voz ocorreram ao mesmo tempo em que John Kerry, assessor especial para o clima do governo dos EUA, está em Xangai para uma reunião com Xie Zhenhua, que tem cargo similar.

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