Por Nandita Bose e Doina Chiacu
WASHINGTON, 18 Jun (Reuters) - O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, criticou duramente os israelenses que se opõem ao acordo com o Irã nesta quinta-feira, afirmando que o presidente Donald Trump é o único aliado de Israel, em uma forte repreensão com referência aos bilhões em ajuda militar que o país recebe dos EUA.
Vance defendeu o acordo firmado nesta semana para pôr fim à guerra com o Irã, criticado nos EUA e em Israel por não conseguir conter o programa de mísseis do Irã e por não oferecer um caminho claro para o desmantelamento de suas instalações nucleares, ao mesmo tempo em que restringe Israel em sua guerra contra militantes do Hezbollah no Líbano.
Trump tem criticado repetidamente Israel, seu aliado de longa data, adicionando mais tensão ao quadro quase quatro meses após os dois países se unirem para atacar o Irã. A guerra abalou os mercados e o abastecimento global de petróleo, já que Teerã reagiu fechando o Estreito de Ormuz, importante rota de abastecimento.
Questionado em uma coletiva de imprensa na Casa Branca sobre reportagem segundo a qual o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, estaria furioso com o acordo, Vance disse não ter ouvido tais comentários do premiê, mas criticou membros do gabinete do israelense, que, segundo ele, criticaram o acordo e atacaram Trump pessoalmente.
“Minha mensagem para eles seria dupla. Primeiro: Donald J. Trump é o único chefe de Estado em todo o mundo que demonstra simpatia pela nação de Israel neste momento”, disse Vance a jornalistas na Casa Branca.
“Se eu estivesse no gabinete do governo israelense, talvez não estivesse atacando o único aliado poderoso que me resta em todo o mundo.”
Ele disse que também lembraria a esses membros do gabinete que dois terços das armas defensivas que protegeram Israel “foram fabricadas por mãos norte-americanas e pagas com o dinheiro dos contribuintes norte-americanos”. Os Estados Unidos fornecem a Israel cerca de US$4 bilhões em assistência militar por ano. Os dois países estão negociando um novo acordo de ajuda.
“O problema para Israel não é Donald J. Trump, e qualquer pessoa em Israel que ache que seu maior problema é o presidente dos Estados Unidos precisa acordar e enxergar a realidade da situação em que o país se encontra”, disse Vance.
O gabinete de Netanyahu e o Ministério das Relações Exteriores de Israel não responderam imediatamente a um pedido de comentário.
TENSÕES ENTRE EUA E ISRAEL
Autoridades israelenses de alto escalão afirmaram anonimamente que os termos do acordo eram ruins para Israel porque não abordavam as preocupações sobre o programa nuclear e de mísseis balísticos do Irã -- visão que, segundo eles, é compartilhada por toda a liderança israelense.
Trump tentou minimizar as preocupações de Israel durante suas considerações finais na quarta-feira, na cúpula do G7, na França. Netanyahu poderia adotar uma “abordagem mais branda” na luta contra os militantes do Hezbollah no Líbano, disse Trump.
Em seus primeiros comentários desde o acordo, Netanyahu disse em um evento público que Israel valoriza sua relação com os EUA, mas continuará a ocupar o sul do Líbano para garantir a segurança dos cidadãos que vivem perto da fronteira norte de Israel.
“Isso exige a manutenção da faixa de segurança no sul do Líbano; exige que não saíamos de lá enquanto as necessidades de segurança de Israel assim o exigirem”, disse Netanyahu.
Israel publicou nesta quinta-feira um mapa mostrando uma zona de controle militar ampliada no sul do Líbano e afirmou que não descartaria a realização de ataques além dela, desafiando os termos do pacto entre os EUA e o Irã.
VANCE x MINISTRO DE EXTREMA-DIREITA
O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, figura-chave de extrema-direita na coalizão governamental de Netanyahu, criticou duramente o acordo entre os EUA e o Irã e insistiu que as tropas israelenses devem permanecer no Líbano.
Vance criticou Ben-Gvir e o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, em uma entrevista ao New York Times divulgada nesta quinta-feira.
“Qual é exatamente a sua proposta? Vocês são um país de 9 milhões de pessoas. Não dá para simplesmente matar para resolver todos os problemas de segurança nacional que vocês têm”, disse Vance.
“Acho todo esse alvoroço em Israel um pouco estranho, porque acredito que ele decorre de uma falta de confiança, e acho que os Estados Unidos conquistaram a confiança dessa região do mundo”, disse Vance.
Ben-Gvir respondeu às declarações de Vance no X, dizendo: “Esta é a proposta... Lidar com os nazistas do século 21, assim como os Estados Unidos lidaram com os nazistas do século 20.”
Em uma publicação nas redes sociais após as declarações de Vance nesta quinta-feira, Trump disse que encorajava todos no Oriente Médio a manterem seu compromisso de permitir que as negociações ocorram.
“Esperamos um cessar-fogo total em todas as frentes, incluindo o Líbano, o Hezbollah e Israel”, escreveu.
(Reportagem de Doina Chiacu em Washington e Alexander Cornwell em Jerusalém; Reportagem adicional de Pesha Magid e Simon Lewis)




Aviso