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Vaias, aplausos e empate: estreia do Irã na Copa do Mundo reflete profundas divisões

Reuters
Vaias, aplausos e empate: estreia do Irã na Copa do Mundo reflete profundas divisões
Vaias, aplausos e empate: estreia do Irã na Copa do Mundo reflete profundas divisões

Por Hatem Maher

INGLEWOOD, 15 Jun (Reuters) - Os assobios abafaram partes do hino nacional do Irã, enquanto outros torcedores cantavam junto, definindo o tom de uma partida da Copa do Mundo que, muitas vezes, pareceu ter mais significado pelas lealdades políticas do que pelo futebol em si.

Diante de uma multidão de mais de 70 mil pessoas em Los Angeles, lar da maior diáspora iraniana do mundo, os torcedores agitaram bandeiras, entoaram gritos de guerra e revelaram lealdades diametralmente opostas durante o empate do Irã por 2 a 2 com a Nova Zelândia na segunda-feira.

Aplausos saudaram os ataques e gols do Irã por parte da torcida, incluindo muitos torcedores que exibiam a bandeira do Leão e do Sol, associada ao Irã pré-revolucionário. Mas algumas vaias acompanharam o hino nacional e grupos de torcedores comemoraram os gols da Nova Zelândia com o mesmo entusiasmo que os seus.

As divisões nas arquibancadas refletiram os desafios enfrentados pela seleção iraniana fora de campo.

O Irã chegou ao torneio em meio a tensões crescentes com o país anfitrião, os Estados Unidos, forçando a equipe a se estabelecer em Tijuana, no México, e a atravessar a fronteira para uma Copa do Mundo em que todas as suas três partidas da fase de grupos estão sendo disputadas em solo norte-americano.

Alguns membros da delegação iraniana também tiveram a entrada nos Estados Unidos negada.

A estreia aconteceu menos de 24 horas após o anúncio de um acordo-quadro para encerrar meses de guerra entre o Irã e os EUA, um conflito que havia lançado uma sombra sobre a participação do país no torneio.

Por longos períodos, a partida parecia secundária em relação às emoções que a cercavam.

Alguns torcedores chegaram envoltos em bandeiras iranianas e entoando cânticos de apoio à seleção. Outros aproveitaram a ocasião para manifestar oposição ao governo de Teerã, criando uma trilha sonora de lealdades conflitantes ao longo da noite.

Ao apito final, o Irã escapou com um ponto após se recuperar duas vezes no placar. Mas, em uma noite marcada por tensões diplomáticas, guerra e uma diáspora dividida, o futebol teve que dividir o palco.

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