CRACÓVIA — Numa decisão controversa nesta sexta-feira, a Unesco aceitou o reconhecimento da Cidade Velha de Hebrom e o Túmulo do Patriarca, ambos na Cisjordânia, como Patrimônios Mundiais do Estado da Palestina. A decisão foi duramente criticada por Israel.
Em eleição secreta, 12 países votaram a favor da inclusão, três votaram contra e seis se abstiveram. A resolução aprovada foi proposta pela missão palestina na Unesco, e pedia que tanto a Cidade Velha de Hebrom como o Túmulo do Patriarca fossem inscritos na Lista do Patrimônio Mundial, e, posteriormente, fosse discutida a inclusão dos locais na Lista do Patrimônio Mundial em Perigo, o que ainda será discutido.
A decisão foi tomada apesar da pressão diplomática exercida por Israel e pelos EUA. Na semana passada, a embaixadora americana nas Nações Unidas, Nikki Haley, enviou uma carta ao secretário-geral da ONU, António Guterres e à diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, pedindo que eles se opusessem à iniciativa palestina.
Com a aprovação, a Palestina recebe o seu terceiro Patrimônio Mundial desde que o território ocupado foi reconhecido como estado-membro pela Unesco, em 2011. A Basílica da Natividade e a Terra das Oliveiras e Vinhedos, em Belém, já possuem o título.
Com população majoritariamente árabe, Hebrom é ocupada por Israel desde 1967. A região é considerada sagrada para judeus, cristãos e muçulmanos. O Túmulo dos Patriarcas, conhecido pelos muçulmanos como Santuário de Abraão. Segundo a tradição, é lá que estão sepultados Abraão e Sara, Isaac e Rebeca, Jacó e Lea.

