Início Mundo Uma tela amiga: Trump já concedeu 20 entrevistas à rede Fox
Mundo

Uma tela amiga: Trump já concedeu 20 entrevistas à rede Fox

WASHINGTON — Desde que assumiu a presidência, fortaleceu seus laços com um veículo que ele nunca ataca e muitas vezes elogia, o canal . E um fato recente ratificou a sintonia: Trump concedeu 20 entrevistas a profissionais da Fox. Isso é mais do que todas as entrevistas concedidas a outras mídias do país juntas. O segundo da lista é o impresso The New York Times, com quatro entrevistas.

A última participação do presidente na Fox foi na semana passada, durante entrevista com o jornalista Lou Dobbs, que começou a conversa com um elogio. "Ele conseguiu tanto nesses nove meses", disse Dobbs, depois de rever o boom econômico pelo qual o país está passando, com o aumento de Wall Street e a diminuição do desemprego: duas tendências que emergiram na presidência de Barack Obama. Dobbs evitou problemas traiçoeiros e deixou que Trump "descarregasse munição" contra críticos, incluindo outros meios de comunicação, os democratas e Hillary Clinton.

Após as críticas, Trump disse à Dobbs:

— O que poderia ser mais falso do que CBS, NBC, ABC e CNN quando você vê algumas das notícias e vê a quantidade de pontos negativos? Eu sei quando estou indo bem e quando faço coisas da forma errada.

— Claro — respondeu Dobbs.

As críticas à imprensa são um tema recorrente nas entrevistas de Trump com a Fox. O republicano leva meses até sentar-se com um jornalista áspero diante das câmeras. O último deles foi Lester Holt, da rede NBC, a quem o presidente revelou que havia demitido o diretor do FBI, James Comey, por sua investigação sobre o "Russiagate", o escândalo que mantém os Estados Unidos inquieto e persegue a Casa Branca.

De acordo com o relato de Mark Knoller, um ex-correspondente da CBS na Casa Branca, Trump deu 20 entrevistas a Fox (19 para televisão e outra para rádio); quatro para o jornal The New York Times; três para a rede NBC e a agência Reuters; duas para o impresso Wall Street Journal e uma para alguns outros veículos, incluindo a revista Time e o The Washington Post. Ele não concedeu nenhuma entrevista à CNN.

Apesar de tudo, Trump não se esquiva a imprensa. O presidente geralmente responde as perguntas dos jornalistas quando ele recebe líderes na Sala Oval, quando ele sai da Casa Branca e caminha para "La Bestia" - a limusine presidencial -, quando ele vai ao Marine One - o helicóptero que pousa nos jardins da residência oficial - ou durante a suas viagens aéreas. Mais de uma vez, ele improvisou entrevistas coletivas.

Mas a Casa Branca parece determinada a preservar o formato "um a um" - o que permite, por exemplo, perguntar e fazer a pergunta novamente, e insistir em tópicos difíceis - para os jornalistas com quem Trump se sente confortável e que lhe dão espaço para se expandir sem medo de ser mal interpretado.

A última entrevista foi dada a Laura Ingraham, uma figura proeminente da direita, que fez um discurso na convenção nacional republicana que elevou Trump como candidato presidencial. Outro escolhido foi Sean Hannity, um dos mais firmes apoiadores do partido no poder, que também é um conselheiro informal do presidente. Hannity costuma levar os filhos de Trump, Eric e Donald Jr., para o programa dele. No entanto, outros jornalistas de Fox, como Bret Baier, reclamaram publicamente porque o presidente não lhes dá entrevistas.

Geraldo Rivera, outro membro do canal, entrevistou Trump em Porto Rico, durante sua viagem em meio a fortes críticas pela fraca resposta americana ao furacão Maria que destruiu a ilha. Antes da viagem, Trump tinha brigado com a prefeita de San Juan, Carmen Yulín Cruz, que havia pedido mais ajuda. "Não estamos morrendo", disse ele.

*

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?