Há dúvida sobre o que realmente se passou na base aérea. O Ministério da Defesa da Rússia confirmou as explosões na terça-feira, 9, mas as atribuiu a uma detonação de munições armazenadas no local, negando que tenha ocorrido um ataque aéreo. Kiev não reivindicou o ataque imediatamente, mas fontes militares ucranianas confirmaram anonimamente ou deram declarações dúbias sobre o suposto ataque.
Na quarta-feira, 10, uma autoridade do governo ucraniano confirmou ao The Washington Post que forças especiais da Ucrânia teriam realizado o ataque. Uma fonte militar americana teria dito também ao jornal americano que o ataque aparentava ter sido realizado por forças ucranianas, utilizando armas diferentes das enviadas por Washington - apesar dos pedidos de Kiev, os EUA não forneceram à armas de longo alcance à Ucrânia por temores de que elas pudessem ser usadas em ataques dentro das fronteiras russas.
O dano exato causado pelas explosões - sejam elas decorrentes de um ataque ou de um erro de manuseio - também é incerto. Segundo a Força Aérea da Ucrânia, nove aviões militares russos foram destruídos, o que significaria a maior perda para Moscou em um único dia desde o início da guerra. A Rússia afirma que os danos foram mínimos - além de um único morto, o responsável pela Crimeia, Sergei Aksionov, informou que cinco pessoas ficaram feridas.
Um ataque ucraniano bem-sucedido na Crimeia seria uma escalada significativa na guerra. Ao atacar além de suas fronteiras, em território que os russos consideravam seguro, a Ucrânia poderia mudar o cálculo da guerra, forçando Moscou a redistribuir as defesas.
Território em disputa
O suposto ataque mostra o estranho papel da Crimeia em meio ao conflito, enquanto território reivindicado por Kiev e Moscou. Após as explosões na terça-feira, a editora-chefe da emissora estatal russa RT , Margarita Simonyan, referiu-se à península como uma "linha-vermelha" em uma publicação nas redes sociais. No mesmo dia, o presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, afirmou que a Crimeia pertence à Ucrânia. "Nós não vamos nunca desistir (da Crimeia)", disse em um discurso.
Sob domínio de Moscou desde 2014, a Crimeia é um destino turístico apreciado pelos russos, que aproveitam para passar as férias de verão (no Hemisfério Norte) nas praias da costa do Mar Negro. (Com agências internacionais).



