Por Andrea Shalal
WASHINGTON, 30 Set (Reuters) - A Ucrânia está pressionando os Estados Unidos a impor sanções a entidades russas que, segundo Kiev, estão ajudando a desenvolver a rede de satélites Rassvet, de Moscou, como uma alternativa doméstica à Starlink, da SpaceX, disse seu embaixador interino nesta quarta-feira.
Denys Sienik, vice-chefe da missão da embaixada ucraniana em Washington, disse a jornalistas que a Rússia está expandindo rapidamente a rede de satélites Rassvet e afirmou que a meta de início das operações em 2027 representa graves riscos para a Ucrânia.
“Se eles lançarem a Rassvet até o fim de 2026, poderão usá-la para atingir alvos ucranianos em tempo real em nosso território”, disse Sienik, acrescentando que deve compartilhar com o governo dos Estados Unidos e o Congresso detalhes sobre as empresas e indivíduos acusados por Kiev de ajudarem a Rassvet.
A Ucrânia planeja impor suas próprias sanções nacionais às entidades ligadas à rede, disse Sienik, acrescentando: “Se essas entidades não forem sancionadas, isso na prática viabilizará esse programa para a Rússia, e isso mudará o jogo".
A Rússia planeja começar a operar a Rassvet, uma versão menor do sistema Starlink, de Elon Musk, em 2027, disse em junho Alexei Shelobkov, presidente-executivo da Iks Holding, empresa que desenvolve o serviço. A empresa lançou seus primeiros 16 satélites de órbita baixa em março e planeja chegar a 900 ao longo de anos.
A SpaceX tem atualmente mais de 10.000 satélites em órbita. A Starlink é proibida na Rússia, e o uso de seus equipamentos está sujeito a multas.
Países ocidentais têm mirado a infraestrutura por trás dos esforços da Rússia na área de comunicações via satélite, mas ainda há lacunas. Kiev vem pressionando Washington a ampliar as sanções contra um grupo maior de empresas e indivíduos russos.
A Ucrânia vem pressionando por acesso a uma cobertura ampliada da internet via satélite Starlink, de modo que possa atacar lançadores de mísseis balísticos localizados em território russo, reivindicação que recebeu o apoio do presidente da Finlândia, Alexander Stubb, na semana passada.
Com a proximidade do inverno, a Ucrânia enfrenta uma grave escassez de sistemas de defesa aérea para repelir mísseis balísticos, e autoridades de Kiev acreditam que a ativação da Starlink sobre o território russo ajudaria o país a atingir os lançadores usados para disparar esses mísseis.
(Reportagem de Andrea Shalal)
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