LONDRES — A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, em uma declaração inesperada nesta terça-feira, comunicou que irá propor ao Parlamento a antecipação das eleições britânicas para o dia 8 de junho deste ano. Entenda o que pode acontecer se a proposta de May for aprovada:
Originalmente, o próximo pleito no Reino Unido só aconteceria em 2020, e a premier britânica, Theresa May, propôs que elas sejam adiantadas para o dia 8 de junho. Segundo ela, a medida é necessária para garantir a unidade política durante as negociações do Brexit, mas muitos veem como uma forma de reforçar seu mandato e aumentar a bancada conservadora no Parlamento. O processo de saída do Reino Unido da União Europeia foi iniciado após o acionamento do artigo 50 do Tratado de Lisboa, em março deste ano, e deve durar pelo menos dois anos.
Com a aprovação de sua proposta, May pretende reforçar sua frágil maioria parlamentar, aproveitando o momento de debilidade de seu principal partido opositor, o Partido Trabalhista. A possibilidade de obter um resultado melhor do que nas últimas eleições, em 2015, outorgaria uma legitimidade democrática maior à primeira-ministra.
O partido conservador, de Theresa May, tem a maioria dos assentos na Câmara dos Comuns, com 330 deputados de 650 lugares. O Partido Trabalhista tem 230 lugares, seguido do terceiro maior partido, o Partido Nacionalista Escocês (SNP) que tem 56 dos 59 lugares reservados para a Escócia. O Partido Liberal Democrata foi o grande prejudicado nas últimas eleições, alcançando o número de apenas 8 deputados — atualmente nove — depois de já ter conseguido 57 lugares em 2010.
The Conservatives have 330 seats, Labour 229, the SNP 54, the Lib Dems nine and Plaid Cymru three. The Green Party has one MP. UKIP have no MPs after their sole representative left the party and became an independent. For Northern Ireland, the Democratic Unionist Party have eight MPs, Sinn Fein, who don't take up their seats, four, the Social Democratic and Labour Party (SDLP) three and the Ulster Unionist Party two. Five MPs sit as independents.
Nas eleições britânicas, cada deputado representa uma circunscrição eleitoral, totalizando 650 em todo o Reino Unido. Todos os que podem votar têm o direito de escolher um candidato para representar sua região. Os candidatos geralmente se vinculam a um partido, mas também podem se candidatar como independentes. Os deputados, além de representarem o partido, também representam sua circunscrição na Câmara dos Comuns. O líder do partido com a maioria dos deputados é chamado pela rainha para se tornar primeiro-ministro e formar um governo para governar o país. O líder do partido com o segundo maior número de deputados geralmente se torna o líder da oposição.
Nesta quarta-feira, é esperado que Theresa May compareça ao Parlamento para apresentar sua proposta de novas eleições. Os deputados irão votar se aprovam ou não o pedido. Se for confirmado, o Parlamento vai se dissolver no dia 3 de maio para entrar em campanha eleitoral até as eleições, no dia 8 de junho.
Os primeiros-ministros britânicos costumavam ter o poder de convocar novas eleições, mas um lei que passou no Parlamento em 2011 tornou a decisão mais complicada. Atualmente, as eleições acontecem de cinco em cinco anos, em maio. A antecipação do pleito só acontece se dois terços dos parlamentares apoiarem a proposta do premier.
O líder do principal partido opositor, Jeremy Corbyn, disse que ele concorda com o adiantamento das eleições, o que significa que a proposta da primeira-ministra provavelmente passará pelo Parlamento.
Se a proposta de novas eleições de May for aceita, seu partido poderá ter uma grande maioria no Parlamento e seu poder de negociação seria reforçado. As conversas do Reino Unido com a União Europeia sobre os termos para deixar o bloco têm sido difíceis. Com mais assentos na Câmara dos Comuns, a primeira-ministra teria mais liberdade para impor sua própria agenda e neutralizar os deputados de dentro e fora do seu partido que discordam de sua posição.
As pesquisas dão a Theresa May uma vantagem de 21 pontos, o que poderia custar ao Partido Trabalhista 70 dos seus 232 assentos. Porém, os democratas liberais, com sua estratégia de se oporem à Brexit, poderiam recuperar um número significativo dos assentos perdidos em 2015.
Nick Clegg, George Osborne, Tony Blair e Peter Mandelson poderiam muito facilmente entrar em um novo partido pró-UE. Mas, na realidade, eles não abandonariam seus próprios partidos. Uma aliança progressiva, provavelmente, exigiria que os dois principais partidos se dividissem em dois.

