WASHINGTON - Um novo vazamento à imprensa voltou a complicar a situação do presidente Donald Trump: o “Washington Post” informou, citando fontes sigilosas, na noite de ontem, que Trump pediu a dois altos funcionários da Inteligência, em março, que negassem publicamente qualquer evidência de conluio entre a campanha Trump e a Rússia. Na semana passada, o “New York Times” informara, também sob anonimato, que o presidente pediu ao então diretor do FBI, James Comey, que ele suspendesse a investigação que apura o envolvimento de seu ex-conselheiro Nacional de Segurança, o general Michael Flynn, com os russos.
De acordo com esta nova denúncia, Trump havia pedido, em encontros separados, ao diretor da Inteligência Nacional, Dan Coats, e ao diretor da Agência de Segurança Nacional, Michael Rogers, que negassem as provas do FBI, mas ambos se recusaram a fazê-lo. O “Washington Post” informou ter confirmado a história com quatro fontes, dois oficiais atuais e dois ex-funcionários públicos. A Casa Branca não confirma e nem nega “reportagens infundadas baseadas em vazamentos”, disse o jornal.
O pedido teria ocorrido depois que Comey afirmara à Comissão de Inteligência da Câmara dos Representantes, em março, que estava apurando “qualquer ligação entre indivíduos associados à campanha Trump e ao governo russo”. Ele foi destituído há duas semanas e há indícios de que a demissão aconteceu depois que ele pediu mais recursos para a investigação. Jornais também afirmaram que Trump havia comemorado o incidente com o chanceler e o embaixador russo em Moscou, afirmando que “havia se livrado de um peso”.
Além disso, Michael Flynn poderá ser investigado por perjúrio, por ter mentido a investigadores do Pentágono sobre negócios que havia feito com empresas russas e reuniões com o Kremlin, ao ser sabatinado para ocupar função de conselheiro da Casa Branca. Flynn disse a investigadores em fevereiro de 2016 que não tinha recebido dinheiro de companhias estrangeiras e nunca teve contatos substanciais com figuras de alto escalão de outros governos. Mas dois meses antes, se reunira com o presidente Vladimir Putin num jantar de gala em Moscou para a rede de televisão RT, financiada pelo Kremlin. Ele recebeu US$ 45 mil pelo convite e por um discurso.
“A Comissão de Supervisão possui documentos que parecem indicar que o general Flynn mentiu para os investigadores”, afirmou, em nota, o deputado democrata Elijah Cummings.
Flynn também pode se ver diante de acusações federais por não ter se identificado como lobista estrangeiro quando prestou serviços para o governo da Turquia — ele fazia parte da campanha de Trump. Apesar disso, Flynn não deve colaborar com as investigações. Segundo o “New York Times”, o general vai recorrer à 5ª Emenda, que o protege contra a autoincriminação.

