WASHINGTON — O presidente americano, Donald Trump, voltou a carga neste domingo contra o Daca, programa criado por Barack Obama que beneficia imigrantes jovens, conhecidos como dreamers, que chegaram aos EUA ainda crianças. Em uma série de mensagens, Trump — que tentou rescindir recentemente o programa — declarou que a fronteira com o México está se tornando mais perigosa e acusou o país vizinho por estar fazendo muito pouco ou nada para impedir o fluxo de pessoas. O Daca — Ação Diferida para os Chegados na Infância — foi aprovado em 2012 pelo ex-presidente para proteger da deportação filhos de imigrantes sem documentos trazidos para os EUA.
No Twitter, depois de publicar uma mensagem de Feliz Páscoa, Trump afirmou que agentes da Patrulha de Fronteira não têm permissão para fazer seu “trabalho corretamente” por causa de leis “liberais ridículas” democratas: “Caravanas estão chegando. Republicanos devem ir para a Opção Nuclear para aprovar leis duras agora. Daca não mais”, escreveu ameaçando ainda acabar com o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), que atualmente está sendo renegociado com o México e o Canadá.
A caminho da missa de Páscoa em Palm Beach, na Flórida, onde passou o feriado, Trump voltou a dizer que “o México precisa ajudar na fronteira”. Durante sua campanha presidencial, ele acusou o país vizinho de enviar estupradores e traficantes para os EUA e insistiu que o México pagaria pela proteção, uma de suas maiores promessas. “Eles riem de nossas leis de imigração burras. Eles devem parar os grande fluxo de drogas e pessoas ou eu vou deter sua fonte de dinheiro, o Nafta. Precisamos do muro”.
Sob o programa, cerca de 800 mil jovens são protegidos da deportação e recebem autorização para trabalhar por períodos de dois anos, que podem ser renovados. Até o momento, o Congresso não aprovou qualquer legislação sobre o futuro dos dreamers, incluindo um possível caminho para obter cidadania. Com o fim do programa, muitos temem que as autoridades migratórias usem as informação de dados pessoais cadastradas no programa para localizá-los e deportá-los facilmente
Em janeiro, o juiz William Alsup, de São Francisco, bloqueou a revogação do programa feita por Trump e ordenou ao Executivo a manutenção do Daca em nível nacional, “nos mesmos termos e condições antes de ser suprimido em 5 de setembro de 2017”. Um mês depois, a Suprema Corte se recusou a julgar o recurso pedido por Trump contra a decisão.
Embora tenha ameaçado um veto no mês passado de uma conta de despesas coletivas porque não tratou do destino dos dreamers e não financiou totalmente seu muro fronteiriço, Trump acabou assinando o projeto.

