WASHINGTON O dia em que Donald Trump completou um ano de presidência não foi de festa. Com um governo paralisado pelo impasse orçamentário, o presidente foi obrigado a cancelar uma viagem para a Flórida e ouvir, de dentro da Casa Branca, os protestos que tomaram conta da capital americana, com cerca de cem mil pessoas, e que se repetiram por todo o país. A queda de braço entre governo e oposição torna difícil prever o fim do , embora as negociações tenham durado todo o sábado, mas sem uma esperança de acordo até o fechamento desta edição.
A Casa Branca emitiu um comunicado classificando os Democratas como “perdedores obstrucionistas”, culpando o líder do partido no Senado, Chuck Schumer, pela paralisação, e acusando congressistas da legenda de “manter cidadãos legais como reféns com exigências inconsequentes”.
“Quando os democratas começarem a pagar nossas Forças Armadas e socorristas, nós reabriremos negociações sobre uma reforma do sistema de imigração”, afirmou em nota a secretária de Imprensa da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders.
Além dos protestos que se espalharam por todo o país, a Marcha pela Mulheres — que marcou o início da era Trump em janeiro de 2017 — voltou a acontecer, em eventos coordenados em 250 cidades americanas, e em outras pelo mundo, como Roma e Buenos Aires.
— As mulheres são a resistência. Agora estamos marchando, depois vamos disputar a Presidência — afirmou a servidora pública Carole Nicholas, que segurava um cartaz criticando o muro que o republicano quer construir na fronteira com o México, um dos pontos do impasse orçamentário.
A Casa Branca informou que não mudou sua posição que levou o governo a não obter os 60 votos necessários para prorrogar, por mais quatro semanas, uma solução provisória para o Orçamento. Quer insistir em obter recursos para iniciar a construção do muro e não aceita negociar a extensão do Daca. Esse programa evita que cerca de 700 mil pessoas sem visto que chegaram aos EUA quando jovens e crianças sejam deportadas. São os chamados O Daca foi suspenso por Trump e sua prorrogação está na base do impasse orçamentário.
As negociações prosseguem hoje. Ambos os lados tentam evitar que a paralisação seja sentida na segunda-feira, quando o governo precisa voltar a funcionar. Republicanos e democratas não querem levar a culpa pelo e passaram o sábado se acusando. Trump adotou a hashtag #DemocratsShutdown no Twitter:
“Os Democratas estão fazendo nossos militares de reféns sob seu desejo de ter imigração ilegal não verificada. Não posso deixar isso acontecer!”, escreveu o presidente na rede social.
O líder dos republicanos no Senado, Mitch McConnel, acusou os democratas.
— Talvez alguns de nossos colegas democratas estejam se sentindo orgulhosos de si mesmos, mas o que esta obstrução conseguiu? A resposta é simples: a paralisação de seu próprio governo — disse. — O que acabamos de testemunhar foi uma decisão cínica dos democratas do Senado que vai atrapalhar milhões de americanos por causa de jogos políticos irresponsáveis.
O senador Chuck Schumer, líder da minoria democrata que se reuniu com Trump na tarde de sábado na busca de um acordo, acusou o presidente, após adotar a hashtag #trumpshutdown.
— Durante a reunião (com Trump), em troca de proteções fortes (aos jovens do Daca) coloquei relutantemente o muro da fronteira na mesa de discussão. Mas mesmo isso não foi o suficiente para atrair o presidente a um acordo — afirmou Schumer. — Do fundo do meu coração, pensei que poderíamos ter uma solução.

