Início Mundo Trump diz que delegação dos EUA irá ao Paquistão para negociações com Irã e ameaça novos ataques
Mundo

Trump diz que delegação dos EUA irá ao Paquistão para negociações com Irã e ameaça novos ataques

Reuters
Trump diz que delegação dos EUA irá ao Paquistão para negociações com Irã e ameaça novos ataques
Trump diz que delegação dos EUA irá ao Paquistão para negociações com Irã e ameaça novos ataques

Por Trevor Hunnicutt e Saad Sayeed

WASHINGTON/ISLAMABAD, 19 Abr (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse neste domingo que seus enviados retornarão ao Paquistão para novas negociações com o Irã, ao mesmo tempo em que ameaçou novos ataques às pontes e usinas de energia do Irã, a menos que o país aceite seus termos.

Trump disse que a delegação dos EUA chegará na segunda-feira à noite, um cronograma que deixa apenas um dia para que as negociações progridam antes do fim de um cessar-fogo de duas semanas.

"Estamos oferecendo um ACORDO muito justo e razoável e espero que eles o aceitem porque, se não o fizerem, os Estados Unidos vão derrubar todas as usinas de energia e todas as pontes do Irã", publicou ele sua rede social. "ACABOU O SENHOR BONZINHO!"

No entanto, não houve confirmação imediata do Irã de que participará de novas negociações. A agência de notícias iraniana Tasnim informou que não havia sido tomada nenhuma decisão de enviar uma delegação enquanto o bloqueio dos EUA aos portos iranianos estiver em vigor.

Um funcionário da Casa Branca disse que a delegação dos EUA será chefiada pelo vice-presidente, JD Vance, que liderou as primeiras negociações há uma semana. O enviado de Trump, Steve Kushner, e o genro do presidente, Jared Kushner, também participarão. Anteriormente, Trump havia dito à ABC News e ao MS Now que Vance não iria.

O negociador-chefe do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, disse anteriormente que os dois lados haviam feito progressos, mas ainda estavam distantes em questões nucleares e sobre o Estreito de Ormuz.

O estreito vital para a navegação permaneceu fechado neste domingo, um dia depois que o Irã disparou contra dois navios que tentaram atravessá-lo.

O Irã, que bloqueou o estreito para outros navios além dos seus desde o ataque dos Estados Unidos e de Israel em 28 de fevereiro, anunciou na sexta-feira que o reabriria. Mas reverteu essa decisão no sábado, depois que Trump se recusou a suspender o bloqueio dos EUA aos portos iranianos.

"O Irã decidiu disparar balas ontem no Estreito de Ormuz - Uma violação total do nosso acordo de cessar-fogo!" Trump escreveu no post da manhã deste domingo. "Isso não foi legal, não é mesmo?"

ESTREITO CONTINUA FECHADO

A ameaça renovada de Trump de atingir as usinas de energia e as pontes do Irã se encaixa em um padrão de avisos desse tipo durante a guerra, vários dos quais precederam movimentos para diminuir a escalada. Ele anunciou abruptamente o cessar-fogo há duas semanas, poucas horas depois de declarar que "toda a civilização do Irã morrerá esta noite".

O Irã afirmou que, se os EUA atacarem sua infraestrutura civil, atingirá usinas de energia e usinas de dessalinização dos vizinhos árabes do Golfo.

Agora na oitava semana, a guerra criou o mais grave choque no fornecimento de energia global da história, fazendo com que os preços do petróleo subissem devido ao fechamento do estreito, que antes da guerra  era por onde passava 20% do petróleo do mundo.

Dois navios-tanque de gás liquefeito de petróleo foram vistos em sites de rastreamento de navios indo para o leste em direção ao estreito no início da manhã de domingo, mas a agência de notícias semioficial Tasnim informou que as forças armadas do Irã os fizeram recuar. Os dados de tráfego marítimo não mostraram nenhum outro movimento após a meia-noite.

O anúncio de sexta-feira de que o estreito seria reaberto causou a maior queda em um dia nos preços do petróleo em anos, enquanto os mercados de ações atingiram novos máximos históricos com a expectativa de que a interrupção terminaria em breve. Porém, como o estreito ainda não foi reaberto, os mercados poderão enfrentar uma nova volatilidade quando reabrirem na segunda-feira.

Milhares de pessoas foram mortas por ataques israelenses e norte-americanos contra o Irã e por uma invasão israelense ao Líbano realizada paralelamente. O Irã respondeu aos ataques com mísseis e drones contra seus vizinhos árabes que abrigam bases americanas.

CAPITAL DO PAQUISTÃO FECHADA

Dois gigantescos aviões de carga C-17 dos EUA aterrissaram na base aérea de Nur Khan, no Paquistão, na tarde deste domingo, transportando equipamentos de segurança e veículos em preparação para a chegada da delegação do país, disseram duas fontes de segurança paquistanesas.

As autoridades municipais da capital Islamabad interromperam o transporte público e o tráfego de mercadorias pesadas pela cidade. Rolos de arame farpado foram estendidos perto do Serena Hotel, onde foram realizadas as negociações da semana passada. No domingo, o hotel pediu a todos os hóspedes que deixassem o local.

Quando os negociadores dos EUA e do Irã se reuniram no último fim de semana em Islamabad, Washington propôs uma suspensão de 20 anos de todas as atividades nucleares iranianas, enquanto o Irã sugeriu uma suspensão de 3 a 5 anos, de acordo com pessoas familiarizadas com as propostas.

Uma declaração do líder supremo do Irã, Ayatollah Mojtaba Khamenei, disse que a marinha do Irã estava pronta para infligir "novas derrotas amargas" aos seus inimigos.

Além do cessar-fogo de duas semanas na guerra do Irã, que deve expirar na quarta-feira, Israel e Líbano anunciaram um cessar-fogo separado na semana passada.

Mais de 1 milhão de libaneses foram desalojados pela invasão israelense, que, segundo Israel, tem como objetivo perseguir o Hezbollah, um grupo armado xiita aliado ao Irã, que disparou através da fronteira em apoio a Teerã.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?