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Trump diz acreditar em agências de inteligência dos EUA

HANÓI e MANILA – O presidente dos EUA, Donald Trump, disse neste domingo acreditar nas agências de inteligência de seu país, sem chegar a afirmar diretamente, no entanto, que a Rússia interferiu nas eleições que o puseram no cargo, como apontam as investigações feitas por elas próprias. Com isso, Trump buscou esclarecer declarações de que acredita nas seguidas negativas do presidente da Rússia, Vladimir Putin, sobre a questão, feitas no sábado após encontro paralelo à cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec, na sigla em inglês), na cidade vietnamita de Danang, à qual os dois atenderam.

- Se acredito nisso ou não (na interferência russa nas eleições), estou com nossas agências, especialmente na sua configuração atual – disse Trump em conferência de imprensa ao lado do presidente do Vietnã, Tran Dai Quang, antes de partir para Manila, capital das Filipinas, para participar da cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), última etapa de sua viagem de 12 dias pela Ásia, onde chegou ainda na manhã deste domingo, no horário de Brasília . - Como atualmente dirigidas, por boas pessoas, acredito muito nas nossas agências de inteligência.

Mesmo assim, Trump voltou a dizer que acredita em Putin quando o presidente russo diz não crer em qualquer interferência russa no pleito.

- Creio que o presidente Putin realmente sente, e sente fortemente, que ele não interferiu nas nossas eleições – afirmou, desta vez, no entanto, acrescentando uma ressalva: - Mas o que ele acredita é o que ele acredita.

Na véspera, Trump contou a repórteres no Air Force One que acredita no líder russo e que toda vez que Putin o encontra ele diz: “Eu não fiz isso”.

- Ele disse que não interferiu (nas eleições americanas), eu perguntei novamente. Ele não fez o que estão dizendo... Toda vez que ele me vê, ele diz: “Eu não fiz isso”, e eu realmente acredito. Eu acho que ele fica muito insultado por isso, o que não é bom para o nosso país – disse Trump.

As declarações de Trump levaram o diretor da CIA (a principal agência de inteligência dos EUA), Mike Pompeo, a reiterar ainda no sábado as acusações sobre a ingerência de Moscou na campanha eleitoral americana do ano passado para que ele vencesse sua rival democrata Hillary Clinton. As investigações concluíram que o governo russo tentou ajudar o republicano ao invadir o sistema de e-mail de Hillary e divulgar as mensagens coletadas, e também disseminou de propaganda política nas mídias sociais para tentar difamar a democrata.

Um inquérito de FBI também tenta determinar se a campanha de Trump tinha um conluio com os russos. No final de outubro, três integrantes da equipe da campanha do presidente americano foram indiciados. O ex-assessor George Papadopoulos confessou ter mentido para a agência e está colaborando com as investigações. Papadopoulos admitiu ter sugerido ao republicano um encontro com líderes russos durante a campanha. Em sua defesa, o presidente desqualificou seu ex-assessor, dizendo que ele era apenas “um assessor para pegar cafezinho”.

Papadopoulos é um advogado internacional do setor de energia que fez parte da equipe da campanha de Trump durante as eleições de 2016. Assumiu sua culpa no dia 5 de outubro, em um caso que teve o sigilo derrubado na última semana de outubro, informou o escritório do assessor especial encarregado da investigação, Robert Mueller. Com a confissão ele se torna o terceiro ex-assessor da campanha do presidente a enfrentar acusações criminais em uma mesma investigação.

"Através de suas falsas declarações e omissões, o acusado Papadopoulos impediu a investigação em curso do FBI sobre a existência de vínculos ou coordenação entre indivíduos associados com a campanha e os esforços do governo russo para interferir nas eleições presidenciais de 2016", indica a acusação assinada pelo procurador especial, Robert Mueller.

Antes, o ex-chefe de campanha de Trump Paul Manafort havia sido indiciado pela Justiça americana com um de seus antigos sócios empresariais, Rick Gates. A medida é resultado da investigação liderada pelo procurador especial Robert Mueller no FBI. São 12 acusações contra os dois, entre elas pelos crimes de conspiração contra os Estados Unidos, tentativa de lavagem de dinheiro e falso testemunho. Manafort se entregou ao FBI.

“O indiciamento contém 12 acusações: conspiração contra os Estados Unidos, conspiração para lavagem dinheiro, agente não registrado de autoridade estrangeira, testemunhos falsos e enganosos, falsos testemunhos e sete acusações de falha em registrar relatórios de bancos e contas financeiras estrangeiras”, afirmou o FBI em comunicado.

O indiciamento afirma que Manafort e Gates receberam milhões de dólares por trabalhos realizados para partidos políticos e lideranças da Ucrânia, e lavaram dinheiro por meio de entidades americanas e estrangeiras para esconder os pagamentos entre 2006 e pelo menos 2016. Os dois esconderam seu trabalho e os ganhos como agentes de partidos políticos ucranianos, segundo a acusação. Pelo Twitter, Trump disse que o indiciamento de Manafort se baseia em fatos que ocorreram antes de ele entrar em sua equipe.

Manafort, de 68 anos, atuou como chefe de campanha de Trump entre junho e agosto de 2016 e renunciou em meio a relatos segundo os quais ele teria recebido milhões de dólares de pagamentos ilegais de um partido político ucraniano pró-Rússia. O diretor do FBI Mueller está investigando os negócios financeiros e imobiliários de Manafort e seu trabalho anterior para aquele grupo político, o Partido das Regiões, que apoiava o ex-líder ucraniano Viktor Yanukovich. Já Gates é parceiro de negócios de Manafort de longa data e tem ligações com muitos dos mesmos oligarcas russos e ucranianos. Ele também serviu como vice de Manafort durante sua breve passagem como gerente de campanha do presidente.

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