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Trump: afável com autoritários, ferrenho com aliados

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WASHINGTON — A forma como Donald Trump se comportou nos últimos dias na reunião do G-7 no Canadá e na cúpula com Kim Jong-un, em Cingapura, escancara a diferença que o presidente americano guarda a líderes de outros países. O republicano mostrou-se duro com os “amigos” e afável com o ditador. Mais que memes, o episódio ajuda a explicar o atual momento da diplomacia de europeus e latino-americanos, que estão mais receosos em sua relação com Washington.

Poucas horas depois de ter escrito no Twitter que o primeiro-ministro canadense Justin Trudeau era “fraco” e “desonesto”, em uma linguagem que foi considerada um insulto pelos vizinhos canadenses, o presidente americano, em entrevista após seu histórico encontro com o líder norte-coreano disse que ele era “talentoso” e que “confiava” no ditador. Após ameaçar uma dos parceiros mais tradicionais dos EUA com mais restrições no comércio e ter retirado sua assinatura do documento do encontro canadense, Trump afirmou, minutos antes de iniciar sua conversa com Kim, que esperava um “fantástico relacionamento” com o líder da Coreia do Norte.

Além das palavras, a postura corporal de Trump foi explorada pela mídia americana: o presidente sempre apareceu de cara fechada e aspecto de poucos amigos na reunião do G-7, que reúne os sete países mais desenvolvidos do planeta (EUA, Canadá, Reino Unido, Alemanha, França, Itália e Japão). Mas, na reunião de Cingapura, esbanjava simpatia e sorrisos com Kim Jong-un.

Mais que um caso isolado, estes episódios mostram uma tendência de Trump. O americano já criticou diretamente a primeira-ministra britânica, Theresa May, e, na primeira visita de Angela Merkel à Casa Branca em sua gestão, se recusou a apertar a mão da chanceler federal alemã, apesar de pedidos dos fotógrafos e do convite feito pela chanceler. Por outro lado, também se mostrou afável com Rodrigo Duterte, das Filipinas, elogia a campanha a “força” de Vladimir Putin e não economizou sorrisos ao rei Salman da Arábia Saudita, quando visitou o país em sua primeira turnê internacional como presidente.

Da mesma forma, Trump deixou de atacar Xi Jinping, afirmando que ele estava certo em defender seu povo e explorar “as brechas” que os Estados Unidos davam na relação comercial com o país. E, apesar de ter iniciado uma “guerra comercial” com a China, segue elogiando seu líder. Mas, com os europeus, Trump tem se mostrado crítico desde o início. O americano defende que os tradicionais aliados contribuam mais com o orçamento da Otan, saiu do acordo climático de Paris, rasgou o acordo nuclear que ambos firmaram com o Irã e aumentou a guerra comercial com o velho continente, sobretudo ao aplicar tarifas maiores para a importação de aço e alumínio.

Graças a estes episódios, Merkel disse que “não se pode confiar mais” nos americanos e o presidente francês, Emmanuel Macron, que é tratado com respeito e até carinho por Trump, afirmou que era melhor não saber o teor de suas conversas. Segundo ele, a última vez que conversou com Trump era como as salsichas: é melhor não saber o que há por dentro.

A dureza de Trump também se voltou a Enrique Peña Nieto, presidente mexicano, que teve que cancelar uma visita a Washington depois que Trump o atacou em redes sociais e disse que, se ele não viria assumir o valor da construção do prometido muro que o republicano quer construir na fronteira com o México — e que ainda não saiu do papel — era melhor nem vir aos EUA. Trump seguidamente se mostra rude com o vizinho, maior parceiro comercial do país e origem de grande parcela da população americana.

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