Por Ali Sawafta
RAMALLAH, 25 Jul (Reuters) - Forças israelenses prenderam dezenas de palestinos na Cisjordânia ocupada neste sábado, depois que pelo menos quatro palestinos e dois soldados israelenses foram mortos em um tiroteio quando colonos israelenses armados se aproximaram de uma aldeia palestina.
Autoridades palestinas na Cisjordânia afirmaram que os tiroteios de sexta-feira foram provocados pelos colonos, que tinham como objetivo atacar moradores da vila de Tal, a sudoeste de Nablus. As forças armadas israelenses inicialmente descreveram os civis israelenses envolvidos no incidente como pessoas percorrendo uma trilha, mas posteriormente reconheceram que alguns estavam armados e afirmaram que ambos os lados abriram fogo antes da intervenção das tropas.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, prometeu tomar “medidas enérgicas” em resposta ao incidente, incluindo a demolição da casa da família de um dos palestinos envolvidos. O gabinete de Netanyahu informou que vai acelerar a aprovação da construção de mais assentamentos israelenses na região.
PALESTINOS DETIDOS
Walid Zidan, prefeito de Tal, disse que cerca de 70 pessoas da vila foram detidas e interrogadas em um centro de verificação de campo instalado em uma casa na vila. Cerca de 10 a 12 já haviam sido liberadas até o momento, informou ele à Reuters por telefone.
“As invasões de casas continuam, patrulhas do exército circulam pelas ruas e não há pessoas nas ruas”, disse ele.
As forças armadas israelenses informaram que as forças de segurança haviam interrogado 80 pessoas na região de Tal e prendido 11 delas.
Dezenas de outras pessoas foram presas em batidas em toda a Cisjordânia, informou o exército israelense, incluindo algumas que descreveu como suspeitas ligadas ao grupo militante Hamas.
Centenas de milhares de colonos israelenses vivem entre milhões de palestinos na Cisjordânia, território que Israel conquistou em uma guerra em 1967. Quase todos os países e órgãos da ONU consideram esses assentamentos ilegais segundo o direito internacional. Israel contesta isso, citando laços bíblicos e históricos com a terra.
Nos últimos meses, houve um aumento acentuado nos ataques de colonos israelenses a aldeias palestinas.
O incidente de sexta-feira ocorreu na chamada “Área A” da Cisjordânia, onde as autoridades palestinas detêm o controle administrativo e a entrada de civis israelenses é proibida pela legislação israelense. A Área A compreende menos de um quinto da Cisjordânia.
ÍMAGENS MOSTRAM CONFRONTO E TIROTEIO
Imagens que circulam nas redes sociais do incidente que levou ao tiroteio de sexta-feira parecem mostrar um confronto confuso entre uma multidão de moradores da aldeia e um grande grupo de israelenses, pelo menos alguns deles armados, com soldados também visíveis.
Em determinado momento, pelo menos dois israelenses são vistos empurrando e golpeando palestinos com as coronhas de seus fuzis, antes que um dos palestinos se apegue a uma das armas e, aparentemente, seja morto a tiros.
Ao fundo, ouvem-se vozes gritando em hebraico “Saiam daqui”, “Ele está tentando roubar a arma. Ele roubou a arma” e “Atirem nele!”. Ouve-se a voz de uma criança gritando “Vingança!”.
A Reuters não conseguiu autenticar as imagens de forma independente.
O chefe do Exército de Israel, tenente-general Eyal Zamir, afirmou que a operação de segurança lançada após os tiroteios teve como objetivo “frustrar o terrorismo, garantir a segurança dos civis israelenses e impedir uma nova escalada”.
Zidan, o prefeito, disse que o incidente foi desencadeado por colonos israelenses que assediavam deliberadamente a aldeia.
“Os colonos não estavam seguindo uma rota ou trilha, como alegam. Eles tinham a intenção de atacar as casas”, disse Zidan. “As pessoas não foram até lá procurando um confronto com eles; estavam simplesmente defendendo suas casas, nada mais e nada menos.”
O aumento acentuado dos ataques de colonos a aldeias palestinas na Cisjordânia, observado nos últimos meses, gerou condenação por parte de agências internacionais e países europeus, mas pouco contribuiu para reverter a tendência.



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