SÃO PAULO, 27 Ago (Reuters) - O setor de transporte rodoviário registrou uma defasagem média de 10,5% do frete no primeiro semestre, sofrendo impacto da alta do diesel, que avançou mais do que os valores dos fretes, apontou nesta quinta-feira um levantamento da associação do setor NTC & Logística.
Respondendo por 44,7% dos custos, o preço do diesel subiu 17,63% nos primeiros seis meses do ano, em meio a impactos da guerra no Irã, apesar de o governo federal ter implementado um programa de subsídios para aliviar os custos.
"O aumento do diesel representou forte pressão... O setor enfrentou esse impacto por meio de reajustes de frete, redução de margens, ganhos de produtividade, renegociação de contratos...", disse Lauro Valdivia, assessor técnico da associação à Reuters.
Segundo ele, em muitos casos houve absorção parcial do aumento do diesel pelo próprio transportador.
Em 12 meses até junho, o combustível representou uma alta de 18%.
Valdivia comentou ainda que a subvenção governamental ao diesel ajudou a conter a pressão de alta do combustível, "evitando que o aumento fosse ainda maior, especialmente diante do cenário internacional de alta do petróleo".
Ele disse que a defasagem média da relação custos versus frete não aumentou em relação ao mesmo período do ano anterior provavelmente porque, desde a guerra da Rússia-Ucrânia, os contratantes de serviços de transporte passaram a aceitar melhor o repasse dos aumentos de combustível.
Segundo Valdivia, como os demais custos, excluindo o diesel, variaram muito pouco, "acabou não havendo muita pressão por parte deles".
Contudo, representantes do setor consultados na pesquisa manifestaram pessimismo em relação à melhora da economia.
"O outro dado que vem piorando é o número de empresas que dizem estar com dificuldade de contratar motorista", afirmou.
(Por Roberto Samora; edição de Letícia Fucuchima)



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