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Theresa May: Autor do atentado em Manchester buscava carnificina máxima

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LONDRES — A primeira-ministra britânica, Theresa May, afirmou nesta terça-feira que a polícia acredita conhecer a identidade do suspeito que matou 22 pessoas, muitas delas crianças e adolescentes, em um show em Manchester. Falando em frente à sua residência oficial na Downing Street, a premier disse que as autoridades, no entanto, ainda não estão prontas para revelar a identidade do terrorista. Ela confirmou que o autor do ataque tinha realizado a ação sozinho, mas ainda não estava claro se outras pessoas tinham ajudado na preparação do atentado.

— À noite experimentamos o pior da Humanidade em Manchester — disse a premier.

Segundo May, o autor do ataque tentou provocar o maior número de mortes possível. Outras 59 pessoas ficaram feridas.

— Sabemos que um único terrorista detonou um dispositivo caseiro perto de uma das saídas do local, deliberadamente escolhendo a hora e o local para provocar uma carnificina máxima — acrescentou.

O homem que executou o ataque na Manchester Arena, ao final do show da cantora pop Ariana Grande na noite de segunda-feira, morreu ao detonar uma carga explosiva. Foi o atentado mais violento no Reino Unido desde os que atingiram os transportes públicos de Londres em 2005.

— A arena ficou pavorosamente em silêncio durante cinco ou seis segundos, que pareceram mais longos, e depois todo mundo correu em todas as direções — afirmou à AFP Kennedy Hill, uma adolescente que estava no show da cantora americana.

Ariana Grande tinha uma apresentação prevista para a Arena O2 de Londres na quinta-feira.

“Devastada. Do fundo do meu coração, sinto muito. Não tenho palavras”, escreveu a cantora no Twitter.

O ataque de Manchester é o mais grave no Reino Unido desde julho de 2005, quando vários atentados suicidas deixaram 52 mortos, incluindo quatro terroristas, e 700 feridos no metrô e em um ônibus de dois andares de Londres. Esta ação foi reivindicada por um grupo que dizia pertencer à al-Qaeda.

O nível de ameaça de atentados no Reino Unido é severo, o segundo mais elevado na escala do governo, e significa que é altamente provável que aconteçam atentados. O nível mais elevado na escala é o crítico, ativado em caso de ameaça iminente.

A polícia recebeu um alerta de explosão no local com capacidade para 20 mil pessoas às 22h35 (18h35 de Brasília). A área foi isolada e viaturas policiais e ambulâncias foram enviadas ao local.

— Alguns pais carregavam as filhas nos braços com lagrimas — contou à AFP Sebastian Díaz, um jovem de 19 anos de Newcastle.

A mãe da jovem, Stephanie Hill, disse que as pessoas perderam os sapatos e os telefones na tentativa desesperada fugir do local.

— Havia muitas crianças e adolescentes como minha filha no show. É uma tragédia — lamentou.

A ministra do Interior, Amber Rudd, denunciou um “ataque bárbaro que apontou deliberadamente contra os mais jovens de nossa sociedade, os jovens e as crianças que foram assistir um show de música pop”.

— Permaneceremos fortes, vamos continuar unidos, porque somos assim. Isto é o que fazemos, eles não vencerão — disse o prefeito de Manchester, Andy Burnham.

O prefeito de Londres, Sadiq Khan, anunciou o reforço da segurança nas ruas da capital britânica.

— Estou em contato constante com a Polícia Metropolitana, que está revisando o dispositivo de segurança em Londres. Os londrinos verão mais policiais em nossas ruas", disse Khan.

O atentado provocou reações de condenação em todo o mundo. O presidente americano, Donald Trump, condenou os “perdedores maléficos” por trás do atentado.

— Tantos jovens, belos, inocentes vivendo e apreciando suas vidas assassinados por perdedores maléficos — afirmou Trump durante uma visita ao Oriente Médio. Eu não vou chamá-los de monstros porque eles gostariam do termo. Eles pensariam que é um grande nome.

O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos anunciou “medidas de segurança reforçadas em e nos arredores dos locais e eventos públicos”.

A chanceler alemã Angela Merkel expressou sua “tristeza e horror”, enquanto o presidente russo Vladimir Putin declarou que está disposto a “desenvolver a cooperação antiterrorista” após o atentado “cínico e desumano”.

O presidente da França, Emmanuel Macron, expressou “horror e consternação” com o atentado.

O atentado provocou a suspensão dos atos da campanha para as eleições de 8 de junho no Reino Unido e aconteceu exatamente dois meses depois do ataque perto do Parlamento de Londres que deixou cinco mortos, quando um homem avançou com seu carro contra uma multidão e esfaqueou um policial.

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