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Terrorismo é um problema social, não de segurança, diz professor britânico

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Como os britânicos estão reagindo ao ataque?

Depende de cada grupo da sociedade. Na TV, vi a imprensa entrevistando pessoas em Manchester, e algumas estavam desafiando a situação, diziam que não iriam mudar a forma de viver. Mas, alguns dos meios de comunicação dizem que as pessoas agora estão vivendo com medo, o ataque cria um senso de insegurança. Os dois climas poderiam coexistir.

É o segundo ataque no governo de Theresa May. O que isso representa para o país?

Esse tipo de incidente pode acontecer em qualquer lugar. Uma coisa que devemos prestar atenção é argumentar contra aqueles que dizem que precisamos de mais segurança. Já se passaram 16 anos do 11 de Setembro e tudo que temos foi mais segurança. E os ataques continuaram. A segurança não é a única solução.

Qual é, então, a solução?

É um problema social. Não um problema de segurança. Temos que aceitar que não há solução imediata para o terrorismo e pensar a longo prazo. E isso significa prover jovens de um sentido positivo sobre o futuro e envolvê-los em projetos. Se não fizermos isso, vão buscar outra coisa para acreditar e pertencer. Não estou falando apenas de muçulmanos que sofrem discriminação. Isso é perceptível no Ocidente quando vemos pessoas votando contra partidos dominantes. Não se sentem representadas, tomam decisões estúpidas e acabam votando em Trump. Não estou dizendo que um dia se vota no Trump e no outro é terrorista, mas o que estamos vendo é toda uma sociedade desengajada.

O extremismo islâmico influencia esses jovens?

Talvez haja uma narrativa virulenta islamita promovida por certas pessoas. Mas isso não responde a pergunta. Por que essa ideologia teria um apelo para uma pessoa nascida no Reino Unido? Eu e você podemos acessar sites jihadistas e não vamos sair na rua e matar alguém. A narrativa jihadista não explica nada. O que precisa ser explicado é por que um indivíduo tem um conhecimento de moral e senso de responsabilidade tão pequenos para tomar atitudes como essa e não ver problema em assassinar crianças.

Como o senhor avalia a resposta das autoridades?

Vivemos em uma sociedade, até mesmo no Brasil, imagino, em que os líderes políticos frequentemente hesitam em promover valores e ideias. Acho que é necessário debater sobre o que se acredita. As consequências de viver em uma sociedade na qual as pessoas têm medo de discutir com palavras é que alguém vai discutir com ações.

O Estado Islâmico mais uma vez reivindicou o ataque. Isso demonstra a força do grupo em propagar sua ideologia de terror?

Sabemos que o EI reivindica tudo. Para ser franco, não importa se o autor agiu sozinho ou se foi instruído por um grupo. A pergunta é por que esses indivíduos estão realizando ataques. Não acho que o EI seja forte. Qual é a sua agenda? Ninguém sabe o que o EI quer. A consequência é que há muitos comentaristas políticos ou a mídia que inventam a agenda para eles.

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