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Terremoto no México abala a lembrança do devastador tremor de 1985

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CIDADE DO MÉXICO - A referência para a palavra “terremoto”, no México, era uma até quinta-feira: 1985. Naquele ano, o tremor de 8,1 na escala Richter havia sido o maior desde 1932, e talvez nenhum outro teve um alcance mais destrutivo. Pouco mais de 30 anos depois, um tremor de 8,2 conseguiu superar tal magnitude na noite de ontem, mas a devastação do passado ainda marca a lembrança dos mexicanos.

Em 19 de setembro de 1985, o México viveu uma das catástrofes mais desastrosas de sua história recente. Às 7h17, uma abalo sísmico equivalente a 316 bombas nucleares tirou a vida de 10 mil pessoas e deixou outros 5 mil desaparecidos. Autoridades e a sociedade civil saíram às ruas para resgatar os que estavam presos sob os escombros. Cerca de 4 mil pessoas foram salvas do risco de morrer soterradas.

O país apenas começa a medir os danos causados pelo tremor de ontem, próximo à costa Sul do país, mas as comparações com 1985 foram imediatas. A principal diferença entre ambos os sismos é que o mais recente teve um epicentro mais longe da costa mexicana e da capital, Cidade do México. Além disso, o tremor de 8,2 foi mais profundo.

Mas a cultura de prevenção no país mudou a partir da experiência da década de 1980. A partir de então, a Cidade do México e o restante do países tinham a ideia clara de que algo parecido poderia acontecer novamente. A cada 19 de setembro, simulações massivas são realizadas para prevenir uma nova catástrofe. Os mexicanos, situados em uma zona de falhas tecntônicas, se acostumaram a conviver com terremotos, ainda que o medo e as precauções tomam conta da população a cada tremor, por menor que seja. Moradias e locais de trabalho são esvaziados rapidamente; linhas telefônicas se ocupam com um fluxo intenso de ligações e, hoje em dia, grupos de WhatsApp e publicações em Twitter e Facebook saturam a internet com mensagens tranquilizantes: “Estou bem”.

O terremoto de 1985 deixou o país indignado, não apenas pela pobre resposta do governo, mas também pelos danos que poderiam ter sido evitados caso protocolos de segurança tivessem sido seguidos e gastos não tivessem sido poupados para construir estruturas com materiais resistentes a tremores. Os destroços mudaram a paisagem urbana e as ruas da capital, mas o abalo sísmico foi sinalizado como um dos eventos mais democratizantes da história recente do país.

Foi uma das primeiras rachaduras do regime de partido único, ainda que o Partido Revolucionário Institucional se manteve no poder até 2000 e de forme ininterrupta por 71 anos. A resposta imediata da capital foi, de “ordem civil frente à desordem oficial”, conforme resume o correspondente do jornal “El País” na época, José Comas. A reação oportuna dos danos, o alerta constante ante a possibilidade de novo terremoto e a resposta solidária dos moradores se reflete desde então a cada tremor. O de ontem não foi exceção.

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