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Terceiro dia de protestos no Irã tem três mortos

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TEERÃ — O terceiro dia de protestos no Irã registrou pelo menos três mortos segundo a a agência de notícias saudita “Al-Arabiya”. Enquanto milhares tomaram as ruas em diversas cidades do país, apoiadores da ala linha-dura do regime também se manifestaram em um protesto anual que acontece desde 2009 para lembrar o movimento que defendeu a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad, em meio a alegações de fraude. O evento já estava programado há semanas, mas ganhou força após os protestos espontâneos dos dias anteriores. O governo, por sua vez, pediu aos iranianos que evitem participar de “atos ilegais”.

Em Doroud, no centro do Irã, três manifestantes foram mortos — um vídeo publicado pela “Al-Arabiya” mostrava seus corpos sendo transportados por uma multidão de manifestantes, entoando gritos de “morte ao ditador” Khamenei”. Outras gravações exibiam centenas de manifestantes na cidade sagrada de Qom. Segundo a agência de notícias “Fars”, pelo menos 70 estudantes se reuniram em frente à Universidade de Teerã e lançaram pedras na polícia. Houve detenções durante os protestos, ocorridos de forma pacífica também em Neyshabur, Kamshmar, Shahrud, Kermanshah, Rasht, Tabriz e Isfahan.

Os protestos contra o desemprego e a inflação começaram na quinta-feira em Mashhad, cidade de 2 milhões de habitantes no noroeste do país, e se expandiram por várias cidades. Mas informações sobre as reivindicações não são claras —a mídia estatal e semioficial ignorou as marchas. Segundo Payam Parhiz, editor-chefe do site reformista “Nazar”, os protestos dos últimos dias foram uma surpresa, mas ainda é difícil prever seus desdobramentos.

Pelo menos 52 pessoas foram detidas na quinta-feira em Mashhad nos protestos. Neste sábado, o governo americano condenou as prisões e instou a comunidade internacional a apoiar os iranianos que levantam vozes contra Teerã. “O governo do Irã deveria respeitar os direitos da sua população, incluindo o seu direito de se expressarem. O mundo está olhando”, disse o presidente Donald Trump no seu Twitter.

As declarações de Trump foram classificadas como “oportunistas” por Teerã. “O povo iraniano não dá valor algum, nem crédito às declarações oportunistas das autoridades americanas e de [Donald] Trump”, minimizou o porta-voz do Ministério iraniano das Relações Exteriores, Bahram Ghasemi, citado pela imprensa local.

O primeiro-vice-presidente iraniano, Eshaq Jahangiri, ainda deu a entender que opositores ao governo estariam por trás das manifestações dos últimos dias.

“Alguns incidentes no país nesses dias aconteceram sob o pretexto das problemas econômicos, mas parece que há por trás deles”, disse Jahangiri, em comentários divulgados pela estatal IRIB.

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