A revista britânica The Economist avaliou nesta sexta-feira (8) que as tarifas de 50% impostas pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros representam mais uma retaliação política do que um impacto econômico significativo. Segundo a publicação, o Brasil conseguiu evitar o pior cenário, ao menos por enquanto, graças a isenções concedidas a quase 700 produtos, como aviões, petróleo e celulose.
A matéria destaca que a medida de Trump é motivada por questões políticas, principalmente relacionadas à situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro, alvo de investigações por suposta tentativa de golpe. O texto aponta ainda que outros países, como Índia e Canadá, também foram alvo de ações similares, mas o caso brasileiro é o mais explícito de uso do comércio para interferência política.
"O Brasil não foi o único país visado por razões políticas. A Índia enfrenta uma taxa comparável por comprar petróleo russo. Trump alertou Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá, que reconhecer um Estado palestino tornaria as negociações comerciais "muito difíceis". O caso do Brasil, no entanto, é o mais claro até o momento de Trump usando o comércio como instrumento para interferir nos assuntos de outro país", afirma a reportagem.
Apesar das tarifas, o impacto econômico no Brasil deve ser moderado. A reportagem lembra que o país exporta pouco em relação ao PIB, e sua dependência do mercado americano caiu para cerca de 13% das exportações totais, em contraste com os níveis de duas décadas atrás. Além disso, o comércio brasileiro tem se voltado mais para a China, que hoje representa 28% das exportações.
"Os danos que as tarifas causam ao Brasil provavelmente serão limitados. Lula provavelmente deveria continuar colhendo os benefícios de ser atacado pelo Sr. Trump e tentar evitar transformar isso em uma briga maior", diz.
O texto também aborda a reação do presidente Lula, que adotou uma postura firme contra as tarifas, rejeitando a ideia de ser "tutelado" pelos Estados Unidos. No entanto, o líder brasileiro optou pela diplomacia e pressionou empresas brasileiras e americanas para obter as isenções. A revista considera que o Brasil deve aproveitar essa estratégia para minimizar os danos e evitar um conflito maior.
Por fim, a The Economist alerta para o risco de escalada comercial, caso Lula siga a intenção de consultar os países do BRICS sobre formas de reagir às tarifas. O presidente dos EUA já rotulou o grupo como "antiamericano" e ameaçou impor tarifas adicionais sobre seus membros, o que poderia desencadear uma guerra comercial mais ampla.




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