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Suzano prevê aumento nos preços globais de papel higiênico e lenços caso a guerra com o Irã se prolongue

Reuters

Por Richa Naidu

LONDRES, 10 Abr (Reuters) - A Suzano afirmou nesta sexta-feira que os preços globais de papel higiênico, lenços de papel e fraldas subirão, à medida que as empresas buscam cobrir os custos mais elevados de transporte e produtos químicos caso a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã continue.

A Suzano, que tem uma capitalização de mercado superior a US$60 bilhões, é a maior produtora mundial de celulose utilizada na fabricação dos produtos da Kimberly-Clark, como papel higiênico Cottonelle, lenços de papel Kleenex, absorventes higiênicos, fraldas e embalagens de papelão para itens de uso diário.

A guerra com o Irã provocou um aumento nos preços do petróleo e elevou os custos de transporte marítimo, rodoviário, ferroviário e de produtos químicos da Suzano.

"Com certeza haverá um aumento de custos em todo o sistema, em toda a cadeia de valor", disse Paulo Leime, diretor-geral da Suzano para a Europa, Oriente Médio e África, à Reuters.

"Isso pressionará os preços do papel", disse Leime. "Se essa crise continuar...a inflação deverá retornar a vários produtos, não apenas papel e lenços de papel."

Ele não deu detalhes sobre o cronograma de quando os preços poderiam começar a subir. Seus comentários fazem parte de uma preocupação generalizada de que a alta dos preços de alimentos, gasolina e produtos básicos irá alimentar a inflação, aumentando a pressão sobre as famílias.

Ele acrescentou que a Suzano se protegeu contra o aumento dos preços de algumas matérias-primas, incluindo o petróleo, mas os custos indiretos também estão aumentando para produtos químicos essenciais à produção de celulose, como soda cáustica e ácido sulfúrico.

Ele também alertou que houve um "impacto significativo" nos negócios no Oriente Médio, onde a empresa detém uma grande participação nos mercados de Dubai, Abu Dhabi, Barein e Catar.

A disparada dos preços da energia é particularmente prejudicial para o setor de celulose, o quarto setor industrial mais intensivo em energia. As ações da empresa caíram mais de 15% desde o início da guerra.

Leime afirmou que a produção da Suzano não seria afetada pelo aumento dos preços da energia, pois suas unidades industriais são 100% autossuficientes em energia.

"Os principais impactos são no custo do combustível", disse Leime.

A Suzano agora está enviando celulose destinada ao Oriente Médio pelo Mediterrâneo, atravessando o Canal de Suez e pagando por um transporte rodoviário "caro" pela Arábia Saudita e Jordânia, disse Leime.

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