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Seviço de inteligência da Venezuela invade casas de juízes da Suprema Corte paralela

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BUENOS AIRES - Nesta madrugada, agentes do Serviço de Inteligência Bolivariano (Sebin) se apresentaram, sem qualquer tipo de ordem judicial, na casa de alguns dos 32 novos magistrados do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), nomeados sexta-feira passada pela Assembleia Nacional (AN). O magistrado número 33, Angel Zerpa, foi detido fim de semana passado e segundo confirmou ao GLOBO seu colega Miguel Angel Martin, porta-voz do grupo, está preso num centro de reclusão do Sebin. De acordo com Martin, “o Sebin está fazendo uma guerra psicológica para assustar nossas famílias e impedir que ocupemos nossos cargos”.

— Eles entraram nas casas, tentando instalar um clima de medo. A perseguição é intensa — comentou Martin.

Hoje, os novos magistrados deveriam assumir suas funções. Mas diante do panorama atual, o grupo decidiu que Martin entregará uma carta ao TSJ informando sobre a intenção de todos de ocupar seus cargos. Os demais magistrados continuaram “resguardados” até que a situação se acalme.

— Não estamos na clandestinidade, estamos adotando medidas de necessidade — esclareceu o magistrado.

Nenhum dos 32 magistrados ainda livres (o presidente Nicolás Maduro disse que mandaria prender “um por um”) está em sua casa.

— Os acontecimentos determinarão o que poderemos fazer. Esta é uma situação irregular, a partir de hoje os ex-magistrados do TSJ não podem assinar resoluções, nem tomar decisões — assegurou Martin.

Ele será o encarregado de levar pessoalmente a carta ao TSJ. Perguntado sobre os riscos que correrá, foi enfático e um pouco misterioso:

— Vamos exigir nossos direitos e cumprir nosso dever. Eu estarei lá, tenho maneiras de fazer isso.

Martin informou, ainda, que Zerpa já foi levado a um tribunal militar, que decretou uma ordem de prisão, o que na Venezuela se chama Medida Privativa de Liberdade. O magistrado foi acusado de traição à pátria por ter participado da cerimônia de nomeação do novo TSJ na AN.

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